Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 24 de agosto de 2007
Depois de engolir e absorver o Estado, fazendo dele um órgão e
extensão de si próprio, o PT dá agora um tremendo "salto qualitativo"
– como o chamaria Mao Dzedong – na marcha acelerada do Brasil rumo ao
comunismo.
Extinguir o capitalismo, instaurar em lugar dele uma "democracia
popular" socialista – eis o programa do Partido-Estado, finalmente
assumido, às escâncaras, nos anúncios do seu 3º. Congresso. Não, não
acreditem em mim. Cliquem o link
http://www.youtube.com/watch?v=VNPjm0qfByc e depois perguntem a seus
olhos e ouvidos o que eles viram e ouviram.
A campanha é lançada simultaneamente com uma onda de esforços gerais
para assegurar ao atual presidente da República um terceiro mandato –
provavelmente também um quarto, um quinto e um enésimo.
Um detalhe interessante do vídeo é que nele, pela primeira vez, o PT
assume diante do público maior as glórias de fundador do "espaço de
articulação estratégica continental" ( sic ), o Foro de São Paulo,
aquela entidade que, segundo os eruditíssimos senhores Luiz Felipe de
Alencastro e Kenneth Maxwell, jamais existiu. Ao fazê-lo, o partido
não só admite oficialmente a parceria política com gangues de
narcotraficantes e seqüestradores que atuam no território brasileiro
(as Farc e o Mir, por exemplo), mas torna visível o seu papel de
criador – junto com Fidel Castro -- dos fenômenos Chávez, Morales
etc., aos quais, por isso mesmo, jamais poderia servir de "alternativa
democrática".
É natural que tão formidável upgrade das ambições partidárias venha
acompanhado de um equivalente decréscimo da tolerância petista para
com qualquer forma de oposição externa (a interna faz parte do
"centralismo democrático" leninista, e não há indícios de que venha a
ser extinta antes do Quarto Congresso; talvez dure mesmo até o
Quinto).
As empresas de mídia que ajudaram a camuflar as atividades do Foro de
São Paulo e a embelezar a imagem eleitoral do PT como um partido
curado de ilusões marxistas já são, hoje em dia, abertamente
condenadas como "de extrema direita", anunciando para mais breve do
que imaginam o prêmio da sua subserviência, o assalto chavista aos
seus meios de expressão.
Na maré montante de furor revolucionário, a intelligentzia
esquerdista, antes ciosa da sua aparência de bem educadinha e
moderadíssima, já não hesita em mostrar seus dentes de ogro. Tenho um
caso pessoal a relatar sobre isso. Os senhores já ouviram decerto
falar de João Quartim de Moraes, um dos mandantes do assassinato do
capitão do Exército americano, Charles Chandler (acusado na época de
pertencer à CIA, coisa que qualquer garoto de escola americano sabe
ser uma impossibilidade administrativa absoluta). Quartim foi
condenado por homicídio em 1977. A sentença já transitou em julgado.
Muito bem: ao chamar esse assassino de assassino, coisa banal que
todos os dias se faz no jornalismo, devo ter acidentalmente tocado em
algum ponto secreto e dolorido do esquema revolucionário brasileiro,
pois suscitei uma reação estranha, desproporcionalmente histérica: um
manifesto furibundo apoiado oficialmente pelo PT, assinado por Marco
Aurélio Garcia, Ricardo Berzoini e mais de seiscentos professores
universitários que me rotulam de "názio-fascista", "irracível"
"entiético" e termos similares, não só exemplificando a crescente
impaciência comunista ante qualquer contrariedade, mas provando a
coexistência pacífica entre o analfabetismo e a condição de
intelectual de esquerda.
Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/semana/070824jb.html
--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Tribuna Online" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para tribunaonline@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para tribunaonline+unsubscribe@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/tribunaonline?hl=pt-BR.
0 comentários:
Postar um comentário