de MIRABEAU BAINY LEAL
Enviada em: segunda-feira, 9 de agosto de 2010 23:28
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Assunto: [NOVO PARTIDO-BR] Dilma no JN: Sabujos da TV Globo ficaram com cara
de tacho
Dilma Rousseff é entrevistada pelo Jornal Nacional
<http://dilma13.blogspot.com/2010/08/sabujos-da-tv-globo-ficaram-com-cara-de
.html> Sabujos da TV Globo ficaram com cara de tacho
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, foi
entrevistada ao vivo nesta segunda-feira (9) no Jornal Nacional pelos
apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes.
William Bonner: O Jornal Nacional dá início nesta segunda-feira a uma série
de entrevistas ao vivo com os principais candidatos à presidência da
República. Nós vamos abordar aqui temas polêmicos das candidaturas e também
confrontar os candidatos com suas realizações em cargos públicos. É claro
que não seria possível esgotar esses temas todos em uma única entrevista,
mas nas próximas semanas os candidatos estarão também no Bom Dia Brasil e no
Jornal da Globo.
O sorteio realizado com a supervisão de representantes dos partidos
determinou que a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja a entrevistada de
hoje. Nós agradecemos a presença da candidata. Boa noite, candidata.
Dilma Rousseff: Boa noite.
William Bonner: E informamos também que o tempo de 12 minutos da entrevista
começa a contar a partir de agora. Candidata, o seu nome como candidata do
PT à Presidência foi indicado diretamente pelo presidente Lula, ele não
esconde isso de ninguém. Algumas pessoas criticaram, disseram que foi uma
medida autoritária, por não ter ouvido as bases do PT. Por outro lado, a
senhora não tem experiência eleitoral nenhuma até esse momento. A senhora se
considera preparada para governar o Brasil longe do presidente Lula?
Dilma Rousseff: Olha, William, olha, Fátima, eu considero que eu tenho
experiência administrativa suficiente. Eu fui secretária municipal da
Fazenda, aliás, a primeira secretária municipal da Fazenda de capital.
Depois eu fui sucessivamente, por duas vezes, secretária de Energia do Rio
Grande do Sul. Assumi o ministério de Minas e Energia, também fui a primeira
mulher, e fui coordenadora do governo ao assumir a chefia da Casa Civil, que
vocês sabem, é o segundo cargo mais importante na hierarquia do governo
federal. Então, eu me considero preparada para governar o país. E mais do
que isso, eu tenho experiência, eu conheço o Brasil de ponta a ponta,
conheço os problemas do governo brasileiro.
William Bonner: Mas a sua relação com o presidente Lula, a senhora faz
questão de dizer que é muito afinada com ele. Junto a isso, o fato de a
senhora não ter experiência e ter tido o nome indicado diretamente por ele,
de alguma maneira a senhora acha que isso poderia fazer com que o eleitor a
enxergasse ou enxergasse o presidente Lula atualmente como um tutor de seu
governo, caso eleita?
Dilma Rousseff: Você sabe, Bonner, o pessoal tem de escolher o que é que eu
sou. Uns dizem que eu sou uma mulher forte, outros dizem que eu tenho tutor.
Eu quero te dizer o seguinte: a minha relação política com o presidente
Lula, eu tenho imenso orgulho dela. Eu participei diretamente com o
presidente, fui braço direito e esquerdo dele nesse processo de transformar
o Brasil num país diferente, num país que cresce, distribui renda, em que as
pessoas têm primeira vez, depois de muitos anos, a possibilidade de subir na
vida. Então, não vejo problema nenhum na minha relação com o presidente
Lula. Pelo contrário, eu vejo que até é um fator muito positivo, porque ele
é um grande líder, e é reconhecido isso no mundo inteiro.
Fátima Bernardes: A senhora falou de temperamento. Alguns críticos, muitos
críticos e alguns até aliados falam que a senhora tem um temperamento
difícil. O que a gente espera de um presidente é que ele, entre outras
coisas, seja capaz de fazer alianças, de negociar, ter habilidade política
para fazer acordos. A senhora de que forma pretende que esse temperamento
que dizem ser duro e difícil não interfira no seu governo caso eleita?
Dilma Rousseff: Fátima, estava respondendo justamente isso, eu acho que têm
visões construídas a meu respeito. Eu acho que sou uma pessoa firme, acho
que em relação aos problemas do povo brasileiro eu não vacilo. Acho que o
que tem que ser resolvido prontamente, nós temos que fazer um enorme
esforço. Eu me considero hoje, até pelo cargo que ocupei, extremamente
preparada no sentido do diálogo. Nós, do governo Lula, somos eminentemente
um governo do diálogo. Em relação aos movimentos sociais, você nunca vai ver
o governo do presidente Lula tratando qualquer movimento social a cassetete.
Primeiro nós negociamos, dialogamos. Agora, nós também sabemos fazer valer a
nossa autoridade. Nada de ilegalidade nós compactuamos.
Fátima Bernardes: Agora, no caso, por exemplo, a senhora falou de não haver
cassetete, mas talvez seja a forma de a senhora se comportar. O próprio
presidente Lula, este ano, em discurso durante uma cerimônia de posse de
ministros, ele chegou a dizer que achava até natural haver queixas contra a
senhora, mas que ele recebeu na sala dele várias pessoas, colegas,
ex-ministros, ministros, que iam lá se queixar que a senhora maltratava
eles.
Dilma Rousseff: Olha, Fátima, é o seguinte, no papel, sabe dona de casa? No
papel de cuidar do governo é meio como se a gente fosse mãe, tem uma hora
que você tem de cobrar resultado. Quando você cobra resultados, você tem de
cobrar o seguinte: olha, é preciso que o Brasil se esforce, principalmente o
governo, para que as coisas aconteçam, para que as estradas sejam
pavimentadas, para que ocorra saneamento. Então tem uma hora que é que nem,
você imagina lá sua casa, a gente cobra. Agora, tem outra hora que você tem
de incentivar, garantir que a pessoa tenha estímulo para fazer.
Fátima Bernardes: Como mãe eu entendo, mas, por exemplo, como presidente não
tem uma hora que tem que ter facilidade de negociar, por exemplo,
futuramente no Congresso, futuramente com líderes mundiais, ter um jogo de
cintura ai?
William Bonner: O presidente falou em maltratar, não é, candidata?
Dilma Rousseff: Não, o presidente não falou em maltratar, o presidente falou
que eu era dura.
William Bonner: Não, ele disse isso. A senhora me perdoe, mas o discurso
dele está disponível. Ele disse assim: as pessoas diziam que foram
maltratadas pela senhora. Mas a gente também não precisa ficar nessa questão
até o fim da entrevista, têm outros temas.
Dilma Rousseff: É muito difícil, depois de anos e anos de paralisia, e
houve isso no Brasil. O Brasil saiu de uma era de desemprego, desigualdade e
estagnação para uma era de prosperidade. Nós tínhamos perdido a cultura do
investimento, aí houve uma força muito grande da minha parte nesse sentido,
de cumprir meta, de fazer com que o governo Lula fosse esse sucesso que
tenho certeza que está sendo.
William Bonner: A senhora tem agora na sua candidatura, além do apoio do
presidente, alianças formadas para essa sua candidatura. Por exemplo, a do
deputado Jader Barbalho, a do senador Renan Calheiros, da família Sarney, a
senhora tem o apoio do ex-presidente Fernando Collor. São todas figuras da
política brasileira, que, ao longo de muitos anos, o PT, o seu partido,
criticou severamente, eram considerados como oligarcas pelo PT. Onde foi que
o PT errou, ou melhor, quando foi que ele errou: quando fez aquelas críticas
todas ou está errando agora, quando botou todo mundo debaixo do mesmo
guarda-chuva?
Dilma Rousseff: Eu perguntava outra coisa: onde foi que o PT acertou?
Quando percebeu que governar um país com a complexidade do Brasil implica
necessariamente na sua capacidade de construir uma aliança ampla. O PT não
tinha experiência de governo, agora tem. Nós não erramos e vou te explicar
em que sentido: não é que nós aderimos ao pensamento de quem quer que seja.
O governo Lula tinha uma diretriz: focar na questão social, fazer com que o
país tivesse a seguinte oportunidade, primeiro, de um país que era
considerado dos mais desiguais do mundo, diminuir em 24 milhões a pobreza.
Um país em que as pessoas não subiam na vida elevar para as classes médias
31 milhões de brasileiros. Para fazer isso, quem nos apóia, aceitando os
nossos princípios e aceitando as nossas diretrizes de governo, a gente
aceita do nosso lado. Não nos termos de quem quer que seja, mas nos termos
de um governo que quer levar o Brasil para um outro patamar.
William Bonner: O resumo é: o PT não errou nem naquela ocasião, nem agora.
Dilma Rousseff: Não, eu acho que o PT não tinha tanta experiência, sabe,
Bonner, eu reconheço isso. Ninguém pode achar que um partido como o PT, que
nunca tinha estado no governo federal, tem, naquele momento, a mesma
experiência que tem hoje. Acho que o PT aprendeu muito, mudou, porque a
capacidade de mudar é importante.
William Bonner: O PT tem hoje nas costas oito anos de governo, então é
razoável que a gente tente abordar aqui alguma das realizações. Vamos
discutir um pouco o desempenho do governo em algumas áreas, começando pela
economia. O governo festeja, comemora muito melhoras da área econômica, no
entanto, o que a gente observa, é que quando se compara o crescimento do
Brasil com países vizinhos, como Uruguai, Argentina, Bolívia, e também com
aqueles pares dos Brics, os chamados países emergentes, como China, Índia,
Rússia, o crescimento do Brasil tem sido sempre menor do que o de todos
eles. Por quê?
Dilma Rousseff: Eu acredito que nós tivemos um processo muito mais duro no
Brasil com a crise da dívida e com o governo que nos antecedeu. Eu acho que
o Uruguai e a Bolívia são países, sem nenhum menosprezo, acho que os países
pequenos têm que ser respeitados, do tamanho de alguns estados menores no
Brasil, que é um país de 190 milhões de habitantes. Nós tivemos um processo
no Brasil muito duro. Quando chegamos no governo, a inflação estava fora do
controle. Nós tínhamos uma dívida com o Fundo Monetário, que vinha aqui e
dava toda a receita do que a gente ia fazer. Nós tivemos que fazer um
esforço muito grande para colocar as finanças no lugar e depois, com
estabilidade, crescer. E isso, este ano, a discussão nossa é que estamos
entre os países que mais crescem no mundo, estamos com a possibilidade de
ter uma taxa de crescimento de 7% do Produto Interno Bruto.
William Bonner: Abaixo dos demais.
Dilma Rousseff: Não necessariamente, Bonner. Sem fazer comparações, a queda
da economia na Rússia no ano passado foi terrível. Criamos quase 1,7 milhão
de empregos no ano da crise.
Fátima Bernardes: Vamos falar um pouquinho de outro problema, que é o
saneamento. Segundo dados do IBGE, o saneamento no Brasil passou de 46,4%
para 53,2% no governo Lula, um aumento pequeno, de 1 ponto percentual mais
ou menos, ao ano. Por que o resultado fraco numa área que é muito importante
para a população?
Dilma Rousseff: Porque nós vamos ter um resultado excepcional a partir dos
dados da pesquisa feita em 2010. Talvez uma das áreas em que eu mais me
empenhei foi a área de saneamento, porque o Brasil investia menos de R$ 300
milhões no país inteiro. Hoje, aqui no Rio, na favela da Rocinha, que eu
estive hoje, nós investimos mais de R$ 270 milhões. Nós lançamos o Programa
de Aceleração do Crescimento, para o caso do saneamento, na metade de 2007.
Começou a amadurecer porque o país parou de fazer projetos. Prefeitos e
governadores apresentaram os projetos agora, em torno do início de 2008, e
aceleraram. Eu estava vendo recentemente que nós temos hoje uma execução de
obras no Brasil inteiro. No Rio, Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Complexo do
Alemão. Obras de saneamento, de habitação. A Baixada Santista, em São Paulo,
e a Baixada Fluminense aqui no Rio de Janeiro tiveram um investimento
monumental em saneamento.
Fátima Bernardes: A gente gostaria agora que a senhora, em 30 segundos,
desse uma mensagem ao eleitor, se despedindo da sua participação no Jornal
Nacional.
Dilma Rousseff: Eu agradeço a vocês dois e quero dizer para o eleitor o
seguinte: o meu projeto é dar continuidade ao governo do presidente Lula.
Mas não é repetir. É avançar e aprofundar, é basicamente esse olhar social,
que tira o Brasil de uma situação de país emergente e leva o nosso país a
uma situação de país desenvolvido, com renda, com salário decente, com
professores bem pagos e bem treinados. Eu acredito que é a hora e a vez do
Brasil e nós vamos chegar a uma situação muito diferente, cada vez mais
avançada agora no final de 2014, deste governo.
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Assista em vídeo:
Vale
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rando-o.html> a pena ver Dilma massacrando o casal Global
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