Uma Armadilha para Plínio Arruda Sampaio

"Afasta de mim este cálice" deve ser, a meu ver, as palavras de Plínio para qualquer coisa que iluda o eleitorado com alguma possibilidade de vitória eleitoral, o que apenas estaria corroborando em ser uma isca para o joguete dos interesses do Capital
Fotografia: Cesar Abreu Braga__
Raymundo Araujo Filho Médico veterinário homeopata e não gosta de se regalar com ilusões. ________________________
- Este é um artigo árido e detalhado. Quem quiser moleza que leia Caras -
O que vai escrito abaixo pode ser interpretado, e espero que seja, como uma reverência ao guerreiro e digno Plínio Arruda Sampaio. Mesmo que o conteúdo, como é, traga um alerta que, a meu ver e sem querer ensinar o padre a rezar missa, deve ser levado em conta.
Antes, quero dizer-lhe sobre o meu orgulho em ter sido saudado por ele, pelos meus escritos constantes no Correio da Cidadania, após ter me apresentado a ele, em singela festa junina comunitária no bairro de Botafogo, recentemente.
A primeira entrevista que vi do Plínio, na Record News, realmente não gostei e acho que os jornalistas jogaram para declarações e conclusões sensacionalistas, em temas delicados, o que conseguiram, em certa medida, embora a firmeza, seriedade e simpatia do Plínio tenha-se feito sentir.
Para este debate da BAND TV, embora preocupado com uma certa validação que a sua presença poderia dar a esta eleição de cartas marcadas, eu sabia e sei de sua capacidade de articular contundências e radicalidades, com a suavidade certeira de um dardo indígena, imperceptível na chegada, mas presente no efeito de sua verve.
E assim foi! Plínio brilhou na sua capacidade de incomodar, de fazer chistes com seriedade, de causar mal estar e fugas de perguntas irrespondíveis, além de afirmações certeiras sobre a realidade brasileira.
A sensação de que Plínio "ganhou o debate" espalhou-se imediatamente, em parcela ativa dos 3% de aparelhos ligados no horário – TV e Rádio – contra 60 a 70% do jogo de futebol decisório na TV concorrente. Assim, o universo dos que assistiram ao debate foi de cerca de 5 Milhões de pessoas no país, considerando 100 milhões de aparelhos, sendo 70 Milhões ligados no horário (share).
Considerando que 50% desta pequena e de corte social unívoco platéia acharam que Plínio foi o melhor (portanto 2,1 Milhões), significa que cerca de 4,2 Milhões de pessoas acharam isso, considerando 2 eleitores por aparelho.
Mas, nem todos deste universo, votarão nele. Estimo, com otimismo, que 50% (cerca de 2,1 milhões de votos), votariam nele, portanto.
Este é o universo estimado nas primeiras 48 horas após o debate, antes de outras repercussões, que ainda não tivemos e, considerando eu, de forma otimista, que é uma parcela pequena mas de boa articulação na formação de opinião.
Mas, a realidade aqui analisada, a meu ver, não é muito confortável pois 2,1 Milhões de votos, sendo parte de militância carimbada, não passam de 2,7% dos 132 Milhões de eleitores, se TODOS comparecerem às urnas, votando em alguém. Uma medida real, portanto, seria 2% de eleitores, no "efeito debate".
Desta forma, na minha opinião, o "fenômeno eleitoral" de Plínio, infelizmente para mim, não se coaduna com a realidade árida dos números que aqui analisei, por aproximação, é verdade, mas com boa dose de realidade, pelo pequeno universo dos assistentes do Debate.
E creio que foi este motivo, a da pouca ameaça eleitoral que Plínio representa, que a mídia burguesa, resolveu ressaltar este fato e, a meu ver, com tratamento VIP, como se Plínio tivesse iniciado a sua vida política, no dia do debate. Lembro que esta mesma imprensa burguesa, recentemente omitiu a demolidora intervenção de 27 minutos do Plínio na CPI da Reforma Agrária, assim como a absolvição do MST, semana passada, no Congresso. A Mídia Corporativa só atende a seus interesses próprios.
Assim, embora eu reconheça a impossibilidade de se esconder a brilhante participação de Plínio no Debate, analisando as reportagens, inclusive as fotos publicadas (com Plínio sempre só, e os outros SEMPRE juntos), uma coisa muito bem concatenada, perceptível para quem faz a leitura de sub textos jornalísticos e midiáticos, coisa que aprendi desde a tenra idade intelectual.
Ora! Estamos a dizer há tempos, inclusive o Plínio, que os três outros candidatos servem aos interesses do Capital e das Corporações Midiáticas, que têm seus ovinhos de interesses depositados nas três outras candidaturas.
O PSDB luta para conseguir o segundo turno e tem seus representantes e conchavos no setor da formação de opinião pública midiática.
O grande Capital sabe que Dilma lhes será tanto mais dócil, quanto mais distante de vencer no primeiro turno, mesmo mostrando-se disposta a comandar a Nau dos Insensatos Entreguistas, a serviço do Capitalismo e da "Estabilidade" (Mas, o Capital, como sabemos, é INSACIÁVEL).
E Marina lhes é interessante para que se force um segundo turno, caso não consiga os compromissos que querem, ainda no primeiro turno, para que novas rodadas de concessões sejam feitas ao Capital, em troca da eleição.
Nesta equação, considero que Plínio só é capaz de tirar votos de Dilma e Marina, favorecendo o segundo turno, e portanto mais concessões.
Ou, em outro cenário, o Capital pode brandir o "efeito Plínio" para exigir de Dilma, que está 5 pontos à frente de Serra, que faça mais concessões, para que vença já no primeiro turno.
Portanto, finalizando este árido e doloroso artigo, creio que a única saída para as candidaturas de esquerda é se apresentarem como Anti Candidaturas, denunciando o vício eleitoral, colocando-se como um instrumento de denúncias e sem perspectiva de vitória, mas como um porta-voz da necessidade de elegermos uma bancada progressista no Congresso, "para fiscalizarmos os atos de qualquer um dos três candidatos que poderão ganhar as eleições" (para não dar moleza para ninguém).
"Afasta de mim este cálice" deve ser, a meu ver, as palavras de Plínio para qualquer coisa que iluda o eleitorado com alguma possibilidade de vitória eleitoral, o que apenas estaria corroborando em ser uma isca para o joguete dos interesses do Capital, que o querem usar para barganhar mais concessões da Ex Esquerda Corporation, da qual Plínio Arruda Sampaio nunca pertenceu e nem pertencerá, em tempo algum.
De minha parte votarei em um candidato que apresente esta denúncia radical do esbulho eleitoreiro, sendo franco com a sociedade, apresentando a única tática possível neste momento, que é se colocar como um instrumento para aumentar a representatividade da esquerda real no Congresso, conclamando o Povo a se organizar nas ruas, colocando as mazelas irresolvidas do país em foco, e distribuindo saias justas nos debates que, como ninguém, sabe fazer.
*Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e não gosta de se regalar com ilusões.
OBS: Na segunda feira, dia 9-08, ouvi Plínio de Arruda Sampaio ser entrevistado´por Paulo Passarinho, economista e apresentador desta trincheira radiofônica, na BAND-AM (horário comprado por sindicatos), diariamente de 8 às 10 da manhã (BAND AM1360 - Rio), acessível pela internet no www.programafaixalivre.org.br.
Vi um Plínio sagaz, muito apropriado da realidade brasileira, vista por um prisma de corte horizontal, como fazem os justos. Discorreu com propriedade o que seria um governo voltado para as causas populares, mesmo sabendo nós (e ele) que sem Movimento Social, Sindical e Popular vivo e atuante, o Poder Institucional fica ao sabor de injunções palacianas e congressuais, que já sabemos quão perniciosas são.
Mesmo com toda a verve e conhecimento que expôs na entrevista, reafirmo que se Plínio não dizer claramente que uma boa votação nele, a meu ver e obrigatoriamente, tem de vir acompanhada da consciência de seus eleitores que Plínio não disputa estas eleições, apenas a usa para denunciar o que aí está e tentar ajudar uma boa bancada de esquerda "para fiscalizar qualquer um dos três escolhidos para disputar a eleição", não estará instruindo o eleitor sobre a Natureza manipulada destas eleições.
Não foi isso que ouvi, infelizmente. Ao longo de cerca de uma hora, não fez NENHUMA referência à necessidade da eleição de uma boa bancada de esquerda. Discorreu entusiasmado sobre um Programa que não vai ser executado, principalmente porque "Tá tudo dominado", e não por uma vontade do eleitor, altamente manipulado e sonegado em informação.
Sem privilegiar a compreensão que estas eleições o Voto é de Protesto em uma Anti Candidatura, e com eleição de forte bancada, reafirmo que acho que Plínio pode estar no meio de uma armadilha, por não reafirmar que as eleições são manipuladas, principalmente as do Poder Executivo, e dominadas por altos interesses.
| 09.08.2010
______________________________ Fonte: via correio eletrtônico |
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