VIDA HUMANA E POLÍTICA

sábado, 9 de outubro de 2010
---------- Forwarded message ----------
From: Cicero <@terra.com.br>
Date: Thu, 07 Oct 2010 22:30:54 -0300
Subject: VIDA HUMANA E POLÍTICA
To: Cicero <@terra.com.br>

VIDA HUMANA E POLÍTICA

Ogeni Luiz Dal Cin*
oldalcin@terra.com.br


Volta o debate da liberação do direito de matar os nascituros humanos
(eufemismo: aborto), colocando políticos em maus lençóis ao julgarem que a
população seria indiferente ou que a satisfação material abafaria qualquer
insurgência. O grito da vida, por enquanto, prevaleceu sobre os meros
interesses eleitoreiros de poder.


Sendo direto, o aborto é sempre morte real, física, concreta, individual. E,
no caso, trata-se de vida humana. Colocar o aborto como um direito à vida é
o mesmo que afirmar que o branco e o preto são sinônimos, cada um escolhe o
que melhor lhe convém. Somente uma visão daltônica da vida é que pode
igualar a vida à morte. O matar não é vida, não traz a vida, traz a morte.
Os eufemismos casuísticos dos Œabortistas¹ (os que defendem o aborto)
enfeitam o aborto como a mais elevada conquista da civilização, o direito
mais nobre, principalmente para as mulheres. A dignidade está em matar, não
em salvar, em cuidar, em amar, civilização da morte. Muitos políticos são
obreiros dessa empreitada, por interesse próprio ou por encomenda.


Sem vida, não há direitos. Apenas reações físico-químicas. Então a pergunta,
em torno da qual gira toda a questão: Quando começa a vida humana? A ciência
não concorda que é no momento da concepção? E os direitos à vida decorrem
dela ou do tempo dela? É o tempo (o vir à luz), não a vida, o gerador de
seus direitos? ­ Quem é o senhor do tempo para definir qual o tempo dos
direitos? E na velhice não pode haver um novo tempo de morte? E outros.
Alguns confundem o início da vida com uma questão de fé. Os materialistas-
ateus têm uma fé muito mais ferrenha, ditatorial, fechada que qualquer outra
fé deísta e rebelam-se com a entrada da discussão do aborto na política. É
seu dogma, não querem discutir. E se dizem democráticos.


O Estado não faz o tempo, atua no tempo. O Estado não faz a vida, mas deve
reconhecê-la e defendê-la. Com o início da vida nasce o seu tempo e o
Estado faz-se servidor dessa vida.


A ciência não faz o tempo e nem a vida, mas pode explicitar a causa a partir
da qual a vida biológica se inicia. A ciência não pode dizer mais do que
aquilo que verdadeiramente é ciência, isto é, provado experimentalmente o
começo da vida biológica, que, aliás, só pode ser humana. E, ainda assim, a
ciência é sempre provisória, sempre sujeita a reformar-se incessantemente.
Mas a vida, enquanto valor axiológico, transcenderá sempre a ciência, pois a
ciência não é a única forma de conhecimento e a vida não se reduz a um só
conhecimento mutante.


Os ateus-materialistas, que não representam 10% da população, acusam-nos de
que tratamos do aborto como uma questão de fé, e por isso temos compromisso
com a vida desde seu início natural. Os que defendem o aborto não acreditam
em nenhum Deus, mas têm fé de que a vida humana pode ser destruída como um
dos direitos dos que matam. Não há outra explicação a não ser a fé nos seus
pressupostos metafísicos para colocar a morte do outro como um direito meu.
É fé, sim. Os mais de 90% da população têm outra fé. Mas não precisamos
ficar no terreno da fé. Há um direito natural, formulado há mais de dois
milênios, que dá suporte e sustentação metafísica em favor do direito
inalienável da vida humana, desde o início de seu ser. Além do direito
natural nós temos uma fé de valorização da vida humana, como filha de Deus,
tanto que tudo deve ser colocado a serviço da vida e não da morte. Sobre
esses valores é que nossa cultura foi gerada, nosso ser ganhou alma. A
defesa da vida é uma exigência cultural. Não podemos ficar em paz com
políticos que de repente passam a dizer-se a favor da vida só para ganhar
votos, estão cegos pelo poder, não amam a vida.


Se uma minoria de menos de 10%, esteja parte na mídia ou não, pode reduzir
os valores do debate político, escondendo o que é o aborto em todas as
dimensões, então podemos dizer que a Democracia corre perigo. Por que a
maioria não tem direito de saber o que seus representados pensam e vão fazer
a respeito de assuntos muito caros, como a vida? - Por essa posição fica
claro que a vontade da sociedade não tem valor nessa democracia de uma
minoria que se acha Œiluminada¹ e cultua o aborto como um troféu,
desmanchando-se em desculpas para justificar os que de última hora não são
mais a favor do aborto. Democracia e mentira não se mesclam, pois o povo
nunca pode ser enganado.


*Advogado e filósofo


Autorizada ampla divulgação

--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Tribuna Online" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para tribunaonline@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para tribunaonline+unsubscribe@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/tribunaonline?hl=pt-BR.

0 comentários: