Wladmir Coelho
Em 2009 o assessor de segurança nacional do presidente Obama, General
James Jones, reunia-se com o então ministro do planejamento brasileiro
Paulo Bernardo. Desta reunião noticiou-se um empréstimo de 10 bilhões
de dólares para o financiamento da exploração petrolífera no Brasil.
O empréstimo seria efetivado através do Export-Import Bank (Ex-Im
Bank) e, do total anunciado, dois bilhões de dólares foram liberados
naquele mesmo ano. Transcorridos dois anos o presidente Obama, em
visita ao Brasil, anuncia a liberação de mais um bilhão de dólares do
montante acertado com o general Jones. Todavia estes recursos não
devem sair dos EUA e muito menos entrar nos cofres do Tesouro
brasileiro ficando restrita sua utilização ao pagamento de
equipamentos adquiridos junto às empresas instaladas naquele país.
O motivo desta operação é fácil de entender; apesar de possuir esta
denominação de banco o Ex-Im Bank atua, conforme explica o seu site,
como agência governamental cuja missão é "ajudar a manter empregos nos
EUA e contribuir para o fortalecimento da economia nacional" não
atuando diretamente no mercado financeiro. Deste modo torna-se
necessário a intermediação de um banco comercial para efetivar a
operação de empréstimo.
O banco escolhido para repassar os valores acertados para a compra de
equipamentos para a exploração do pré-sal foi o JP Morgan que atua
diretamente no mercado energético possuindo o controle ou participação
em empresas de extração, transporte e tecnologia para o setor
petrolífero apresentando ainda a condição de grande especulador dos
papeis de venda do petróleo e classificador dos níveis de risco do
mercado energético. Primeira observação obvia: O JP Morgan vai ganhar
cobrando os juros, a comissão e suas empresas a venda de equipamentos
dos EUA para a exploração de petróleo no Brasil. Isto sim é
"equilíbrio nas relações comerciais" o resto é bobagem.
Vamos somando estas informações a crescente concentração observada no
mercado de equipamentos para o setor petrolífero atuando a
estadunidense General Eletric (GE) de forma agressiva adquirindo o
controle de empresas em todo o mundo. Apenas um parêntese histórico: A
GE foi criada em 1891 a partir da fusão entre a Edson General Eletric
e Thompsom Houson Eletric através de uma operação financiada por JP
Morgan.
No Brasil a GE, graças à reforma constitucional do governo Fernando
Henrique Cardoso mantida por Lula e Dilma, é considerada empresa
"nacional" constando nos tais "elevados índices de nacionalização" da
exploração do pré-sal recebendo, desta forma, tratamento diferenciado.
A mesma GE, será beneficiada através do empréstimo do Ex-Im Bank/JP
Morgan também nos EUA ficando o Brasil com os encargos do empréstimo e
remessa dos lucros da empresa estadunidense. Os acionistas da GE,
dentre eles o JP Morgan, agradecem a cordialidade brasileira.
A visita do presidente Obama ao Brasil ainda serviu para confirmar sua
plena satisfação diante da legislação para o petróleo do pré-sal
considerando-se a inexistência de comentários quanto a "excessiva"
presença estatal no setor. O presidente dos EUA sabia e aprovou desde
a visita da então ministra Dilma, acompanhando o presidente Lula, aos
Estados Unidos que a Petrobrás seria utilizada para financiar os
oligopólios assumindo a condição de operadora e não controladora dos
campos petrolíferos.
Partindo o presidente dos EUA ficou a certeza da manutenção da
tradicional política econômica colonial brasileira agora assumindo a
condição de potencial fornecedor de petróleo bruto ao império.
Enquanto isso a população dos países árabes mostram as conseqüências
destas políticas coloniais observadas na desnacionalização da
economia, desemprego e implantação de governos ditatoriais.
Tentando perfumar a velha política entreguista o presidente Obama
reservou ao Brasil a classificação de democracia apontando a
estabilidade política como principal motivo para ampliação do comércio
de petróleo. Mentira. Os Estados Unidos precisam controlar cada gota
de óleo do mundo o pré-sal brasileiro é apenas mais uma reserva. Esta
estória de estabilidade política os EUA garantem em qualquer lugar
bastando para isso impor um ditador ou, em caso de falha deste método,
enviar os seus porta-aviões e "mísseis humanitários".
Torna-se necessário uma revisão urgente da legislação do petróleo no
Brasil o país caminha para a entrega desta preciosa riqueza abrindo
mão da utilização do poder econômico resultante da exploração
petrolífera em beneficio do desenvolvimento nacional.
Original em
http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=13543:obama-o-amigo-do-brasil&catid=312:petroleo-e-politica&Itemid=21
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