Texto especial para o Dia Internacional do Homem
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Tudo que vou dizer aqui sobre os homens machistas, pervertidos, espancadores, babacas é que já há um sem-número de homens e mulheres falando deles, geralmente o que se fala deles está certo e que eles não são o assunto aqui. O assunto deste texto é os homens bons, os que agem com cortesia, urbanidade, ética e respeito, e não apenas com as mulheres. E como eles são ignorados, quando não juntados aos "caras maus".
Escrevo esse texto para o Dia Internacional do Homem. Há, na verdade, duas datas: 15 de julho e 19 de novembro. Mas apenas nesta semana vi pela primeira vez alguma lembrança do comércio para este dia, das lojas O Boticário. Os feministas (também existem homens feministas) falam de preconceito, opressão, e até mesmo machismo do curso de Matemática (cara, eu tenho a matéria que fala disso!), mas no geral são chavões, papagaiadas próprias do meio, mentiras deslavadas e dados mal usados. Mas qualquer sinal de masculinismo (defesa dos direitos do homem) parece blasfêmia. E os feministas não têm que protestar que o Dia Internacional da Mulher "passa em branco".
Parece que não parecer gay ou emasculado pode dar cadeia num futuro próximo. Um olhar mais longo de homem para uma mulher não é pela flor que ela leva no cabelo, ou pela pintura das unhas, é alguma imaginação no sentido sexual, provavelmente ignóbil. Você pode encontrar várias frases atribuídas a feministas que dizem que sexo heterossexual é estupro, e nenhuma mulher feminista perdeu tempo de desmentir a autoria, condenar as frases, ou dar qualquer sinal de que este não é o pensamento feminista. A abordagem das feministas à prostituição e à pornografia sugere que é impossível um homem procurar uma prostituta ou ver uma mulher em um material pornô e fazer ou pensar em sexo com essa mulher com algum respeito à sua pessoa, e elas também falam que a publicidade trata o corpo feminino como objeto (como se o público alvo do movimento não consumisse revistas com capas mostrando mulheres magras de biquíni que mantém ou conseguiram o "corpão" dessa ou daquela forma), mas se pensarmos que elas pensam em "respeito" num sentido lesbopuritano, infelizmente parece algo que faz mais sentido que uma infeliz generalização mal feita (aliás, isso lembra a defesa da "moral" e dos "bons costumes", que é uma mistura de horror a sexo com inveja de mulher "boazuda" ou de presença agradável).
Ridicularizar os homens é comédia. Uma propaganda da Tigre tenta passar que quem usa Tigre é autoridade mostrando um homem sendo desmoralizado pela esposa enquanto visita a obra do futuro apartamento. Em uma propaganda da Previdência Social, uma senhora fala da eficiência de um serviço por telefone e em seguido fala da incompetência do marido em serviços como consertar torneiras. Desenhos e seriados onde o homem é um "mané" e o único que trabalha na casa e é tratado com desrespeito pela esposa, como um nada pelos filhos e como lixo no trabalho e no comércio são comuns como programas ditos de humor. Para citar três exemplos que me ocorreram enquanto escrevia, "Família Dinossauro", "Os Simpsons" e "Eu, a Patroa e as Crianças".
O contrário do outro lado também é normal. Um exemplo: o programa Tudo é Possível, da rede Record, tem um quadro "Toda Mulher é uma Diva", que oferece tratamentos de beleza para mulheres, e mulheres atendidas neste quadro aparecem em outdoors em São Paulo. Ora, diva é feminino de deus. Se a rede Record espalhasse outdoors com os dizeres "Todo branco é um deus", meia São Paulo se juntaria para arrancar os painéis e transformá-los em porretes para quebrar a emissora e os ossos da apresentadora. Façamos a inversão de gênero, com as adaptações necessárias, em casos como os do parágrafo anterior imaginando o que aconteceria.
Aliás, o desprezo à contribuição masculina, como se os homens não tivessem feito mais que matar mulheres, usar o corpo feminino para o prazer próprio, fazer guerras e encher a cara, é tão natural quanto andar. Quando uma mulher ganha espaço – em qualquer área – é tratada como vencedora e renovadora, e às vezes é, mas isso significa, e às vezes ela mesma enfoca isso como diferencial, que ela está entrando em alguma área em que homens já atuavam há muito tempo. Mas uma meia dúzia de mulheres, de algumas realmente notáveis como Hipácia de Alexandria a algumas velhotas carolas como Madre Tereza de Calcutá, parecem representar toda a História da humanidade. Max Wolfen escreveu "19/11, Hoje é o Dia Internacional do Homem" no Reflexões Masculinas (http://www.reflexoesmasculinas.com.br/2010/11/max-wolfen-1911-hoje-e-o-dia.html), que é um dos vários blogues escritos por críticos sensatos ao feminismo e às mulheres que são ignorados pelos feministas. Leitura imperdível, argumento invencível!
Digo às vezes que o verdadeiro grupo oprimido é o que não pode se manifestar. Eu partilho o blogue A Vez das Mulheres de Verdade (http://avezdasmulheres.wordpress.com) com as duas criadoras, e percebo que elas nunca universalizam quando falam dos defeitos femininos. Mas as mulheres do outro lado sempre se referem a "os homens" quando se referem apenas aos homens machistas. Ou, pior ainda, consideram que todos os homens têm o perfil lugar-de-mulher-é-na-cozinha, ou simplesmente ignoram os homens que não tem este perfil como quem pisa em um panfleto na calçada.
Termino chamando a atenção para que o machismo seja mais preocupante como palavra-chave que como realidade (aliás, Imaculada V. P. Souto e Abigail P. Aranha estão escrevendo uma série interessante intitulada "O machismo foi criado pelas mulheres" no A Vez das Mulheres de Verdade, e será melhor eu indicar esta série que começar o assunto aqui). Primeiro porque, digam o que disserem as feministas sobre os homens machistas, em geral estarão certas sobre os homens machistas, mas os homens são apenas metade da população, e os homens machistas não são 100% dos homens (é como o "país racista" que é metade ou mais afrodescendente). Segundo porque parece que é interessante para algumas mulheres ditas feministas reprimirem qualquer crítica às mulheres, ainda que bem fundamentada, ou qualquer refutação a seus argumentos, que pode ser bem feita por qualquer pessoa razoavelmente esclarecida, com um raciocínio lógico razoável e que não tenha medo de uma erudita horrorosa com rancor do pai e que não conseguiu um namorado na adolescência (sim, uso aqui uma infame caricatura, mas para realçar a idéia). Aliás, alguém deve estar se lembrando da questão da violência contra a mulher, do assédio sexual e outros assuntos feministas. Mas uma pesquisa rápida na internet vai falar de aumento de casos de violência contra a mulher em algum ano depois da lei Maria da Penha. Por que falo disso? Enquanto alguns homens simpáticos e de bom caráter estão sendo ameaçados com a Vadia da Penha pela esposa insuportável, os brados feministas parecem parados em algum lugar antes do fim da ditadura militar, além de que o próprio desenrolar contrário ao esperado é pelo menos esquisito. Um empregador está no terceiro milênio só porque a maioria dos empregados é de mulheres, mesmo que até as atendentes em sua maioria tenham uma cara e uma postura de acabar com o dia de uma pessoa. A Presidência da República foi assumida por alguém que Lula foi multado por propaganda eleitoral antecipada para fabricar, mas saímos das trevas como país só porque temos uma mulher presidente. Isso deve preocupar os homens – e principalmente os que passam longe de ser um Pimenta Neves, um Maníaco do Parque ou um machão caricato.
Walter Nunes Braz Júnior

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