Grileiro da Cutrale e laranjas da mídia
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Grileiro da Cutrale e laranjas da mídia
Por Altamiro Borges
A mídia ruralista voltou a babar seu ódio contra o MST, que ontem ocupou novamente as terras griladas pela empresa Cutrale em Iaras, no interior de São Paulo. Na TV, âncoras e comentaristas criticaram a "invasão" e repetiram as cenas da destruição dos pés de laranja… em setembro de 2009. Apesar do Incra reafirmar que a área pertence a União, a mídia insiste em satanizar os sem-terra.
A ocupação da Cutrale faz parte da jornada de luta pela reforma agrária – que inclui um acampamento de 4 mil pessoas em Brasília e várias ações nos estados. A mídia nada fala das reivindicações do MST ou da absurda concentração fundiária no país. Prefere defender a "vítima" Cutrale – neste sentido, a ocupação serviu para noticiar, mesmo que de forma pejorativa, a luta pela reforma agrária.
A omissão criminosa
Nos momentos de confronto, a mídia hegemônica sempre toma partido. Ela fica ao lado dos poderosos, neste caso os barões do agronegócio, contra os trabalhadores. Ela até chega a ocultar denúncias que fez em períodos de maior calmaria. O caso da Cutrale é emblemático. As redações da imprensa conhecem bem as irregularidades desta empresa, mas preferem o silêncio criminoso.
Em maio de 2003, por exemplo, a revista Veja – talvez em mais uma ação mercenária – fez uma longa reportagem sobre a Cutrale. Ela revelou que a empresa é uma das mais ricas do mundo e que construiu o seu império de maneira predatória e ilegal. "O brasileiro José Luís Cutrale e sua família detêm 30% do mercado global de suco de laranja, quase a mesma participação da Opep no petróleo".
Exploração, sonegação e remessa ilegal
Ainda segundo a revista, "o principal segredo do negócio consiste em adquirir a fruta a preço baixo – a preço de banana, brincam os fornecedores –, esmagá-lo pelo menor custo possível e vender o suco a um valor elevado". Em 2001, o governo FHC chegou a investigar a altíssima lucratividade da Cutrale (nos anos 1980, ela teve taxas de retorno na ordem de 70%, um fenômeno raro).
"Uma autoridade da Receita Federal relatou a Veja que a estratégica para elevar a lucratividade do grupo passa por contabilizar parte dos resultados por intermédio de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Com isso, informa a autoridade da Receita, a Cutrale conseguiria pagar menos impostos no Brasil".
"Agressividade gerencial"
Em síntese, a revista Veja criticou a "agressividade gerencial da família Cutrale", que já virou "uma lenda no interior paulista. Os plantadores de laranja no Brasil têm poucas opções para escoar a produção. Há apenas cinco grandes compradores da fruta e Cutrale é o maior deles. Por essa razão, acabam mantendo com o rei da laranja uma relação que mistura temor e dependência".
"Por um lado, eles precisam que ele compre a produção. Por outro, assustam-se com alguns métodos adotados pela Cutrale para convencê-los a negociar as laranjas por um preço mais baixo". Vários produtores relataram à revista a brutal pressão para baixar preços ou mesmo para adquirir suas fazendas, inclusive com sobrevôos ameaçadores de helicóptero e outros métodos terroristas.
Uma coleção de processos na Justiça
A bombástica reportagem simplesmente foi arquivada, assim como também foram esquecidos os inúmeros processos na Justiça contra a Cutrale por desrespeito aos direitos trabalhistas, crimes ambientais e pressão contra os lavradores. Somente de 1994 a 2003, a empresa foi alvo de cinco ações no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel.
Para criminalizar a jornada nacional de luta pela reforma agrária, a mídia omite os crimes da Cutrale. A empresa vira uma santa; o MST é o demônio. A mídia "privada" sequer esclarece que as terras em Iaras não pertencem legalmente à Cutrale. Elas compõem o lote do Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares pertencentes à União. Ou seja, elas foram griladas – roubadas!
Laranjas ou vendidos da mídia
Em 2007, a Justiça Federal cedeu a totalidade do imóvel ao Incra. Mas a empresa permanece na área com base em ações judiciais protelatórias. Desde que grilou as terras e passou a monopolizar a produção, milhares de pequenos e médios agricultores foram à falência e 280 mil hectares de pés de laranja foram destruídos. Mas a mídia só repete as cenas do trator em setembro de 2009.
Diante da riquíssima família Cutrale, com uma fortuna avaliada em US$ 5 bilhões, os colunistas da mídia são realmente laranjas! Já alguns pegam "carona" e se vendem!
*****
NOTA DO INCRA A RESPEITO DA ÁREA EM LITÍGIO:
Terras públicas do Núcleo Colonial Monção serão transferidas ao Incra/SP
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em São Paulo (Incra/SP) receberá em definitivo a transferência do domínio das terras públicas remanescentes do Núcleo Colonial Monção, localizadas em Iaras/SP.
A solução conciliada foi construída no âmbito da Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal da Advocacia Geral da União (CCAF/AGU) e definida em reunião no último dia 19 de abril.
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) concordou em firmar os termos para a transferência e com estas providências não haverá mais dúvidas sobre a legitimidade do Incra na adoção de medidas judiciais para a retomada destas terras públicas e sua destinação à reforma agrária.
O Núcleo Colonial Monção foi criado a partir de 1909/1910 com aquisição de vários imóveis rurais na região pelo Governo Federal, no intuito de realizar projetos de colonização com imigrantes.
Na época, foram reunidos 40 mil hectares por meio de compra de propriedades particulares e pelo recebimento de dívidas fiscais, abrangendo parte dos municípios de Agudos, Lençóis Paulistas, Borebi, Iaras e Águas de Santa Bárbara.
É grande o potencial dessas áreas para o desenvolvimento socioeconômico, pois concentrar assentamentos rurais em uma mesma microrregião permite ao poder público um enfoque no desenvolvimento territorial sustentável.
A recuperação deste patrimônio público traz a perspectiva de construir uma grande área reformada no centro do Estado de São Paulo, que facilitará a integração produtiva dos trabalhadores assentados e sua articulação com os mercados locais.
De: Antonio Morales [mailto:antonio_morales@uol.com.br]
Enviada em: terça-feira, 23 de agosto de 2011 21:21
Para: 'Mente Estratégica'
Assunto: RES: [menteestrategica] MST petraia
Assim é o PIG. Nenhuma palavra sobre o fato de que a CUTRALE é a invasora.
Se apossou impunemente de terras da União. As chamadas áreas devolutas.
De: menteestrategica@grupos.com.br [mailto:menteestrategica@grupos.com.br] Em nome de Fendel
Enviada em: terça-feira, 23 de agosto de 2011 20:37
Para: menteestrategica@grupos.com.br
Assunto: [menteestrategica] MST petraia
MST repete invasão de fazenda da Cutrale; faz sentido, né? Ficaram impunes antes, sabem que ficarão impunes agora!
Por José Maria Tomazela, no Estadão:
Cerca de 400 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) voltaram a invadir ontem a Fazenda Santo Henrique, da empresa Cutrale, no município de Borebi, a 290 km de São Paulo, na região de Bauru. Apanhadores de laranja foram impedidos de entrar para a colheita. Advogados da Cutrale registraram a invasão na delegacia de polícia e pretendiam entrar ainda ontem com pedido de reintegração de posse no Fórum de Lençóis Paulista.A ocupação faz parte da jornada nacional de lutas do movimento e reivindica a utilização da área de 2,6 mil hectares para assentamento. A fazenda é a mesma ocupada pelo MST em outubro de 2009. Na época, imagens gravadas pela Polícia Militar flagraram os sem-terra destruindo 12 mil pés de laranja com o uso de tratores.
Para a nova invasão, ontem, o movimento reforçou o contingente de acampados da região com pessoal recrutado no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado.
Um comboio de carros e ônibus parou na frente do portão de entrada da fazenda às 6 horas. Vigias e funcionários da portaria não conseguiram impedir que os sem-terra forçassem a abertura do portão para a passagem dos veículos.
Bandeiras do MST foram hasteadas no pátio transformado em acampamento.
Desta vez, os militantes não ocuparam as casas dos funcionários internos, que trabalharam normalmente. Os trabalhadores que chegaram para fazer a colheita da laranja, no entanto, foram barrados. Viaturas da Polícia Militar foram até o local, mas os policiais se mantiveram ao lado da portaria, aguardando uma possível decisão da Justiça. O MST alega que as terras são públicas. Um processo movido pela União visando à retomada da gleba tramita desde 2006 na Justiça Federal de Ourinhos.
Sem punição. Em 2009, as imagens de integrantes do MST derrubando o laranjal causaram a revolta de políticos e ruralistas, levando à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso.
Além do pomar, os invasores depredaram máquinas, tratores e casas da fazenda. O prejuízo passou de R$ 1 milhão.
Uma operação da Polícia Civil prendeu nove integrantes acusados de liderar a invasão. Entre os presos estavam o ex-prefeito de Iaras, Edilson Granjeiro Xavier (PT), a vereadora Rosimeire Pan D"Arco de Almeida Serpa (PT) e o marido dela, Miguel da Luz Serpa, coordenador do MST na região. Além de mandar soltar os acusados, a Justiça anulou todo o inquérito que apurava os danos na propriedade. Até hoje ninguém foi punido.
Por Reinaldo Azevedo
Este homem foi se encontrar com Lula, o "presidente do B"; trata-se de uma agressão óbvia à República, ao estado de direito e, como é óbvio, à autoridade de Dilma Rousseff
O ministro da Educação, Fernando gugu-dadá Haddad, tinha uma desculpa para se encontrar ontem com Luiz Inácio Apedeuta da Silva, o presidente do B do Brasil: tratar de sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo. Afinal, ele só será o nome escolhido pelo partido na base do dedaço do Babalorixá de Banânia. Embora o tema fosse a Prefeitura, Lula aproveitou, informa Vera Magalhães da Folha de hoje, para fazer cobranças sobre assuntos da administração, como a aplicação do piso nacional dos professores.
Pois bem: gugu-dadá tinha uma justificativa verossímil. Mas me digam: o que fazia o advogado-geral da União — o Adams, da Família Luis Inácio — em reunião com Lula? Informa Vera: "Questionado sobre a realização do encontro no instituto de Lula, Adams disse que sempre que precisa falar com ele vai até lá. 'Eu procuro mantê-lo informado dos processos que correm e nos quais ele é parte', afirmou. O advogado-geral da União disse que não há nenhum andamento urgente de processo que justificasse a visita ontem. 'Era só para atualizá-lo do quadro geral.'"
O lugar de Adams é a rua. E já! Não depois — e sei que não vai acontecer. Nunca antes na história destepaiz um advogado-geral da União manteve "atualizado do quadro geral" um sujeito que é, no que diz respeito à lei, um cidadão comum, sem qualquer poder extraordinário, com quem não cabe dividir questões que digam respeito ao estado brasileiro. Ademais, o Lula indivíduo não é parte de processo nenhum que seja da alçada de Adams. Se é, trata-se do então presidente da República, que era uma figura institucional. Para as questões mundanas, o Apedeuta dispõe, entre outros, do compadre Roberto Teixeira.
Lula é hoje um palestrante, uma espécie, assim, de consultor da iniciativa privada. Já passou há muito a casa do milhão de reais só na base da saliva. Por mais que não lhe seja difícil obter informações privilegiadas — e ninguém é tolo o bastante para achar que ele tenha perdido o controle da máquina —, a ida de Adams a seu escritório é uma demonstração vergonhosa de submissão e sabujice. Trata-se de uma óbvia agressão aos princípios republicanos do estado de direito. O ideal seria que os dois não mantivessem conversas privadas — qual a pauta, afinal? Mas, se Adams já não se continha de tanta saudade, então o Babalorixá de Banânia, que não é autoridade, que fosse ao encontro do advogado-geral, jamais o contrário.
Lula vive repetindo por aí que Dilma só não será candidata em 2014 se não quiser. Trata-se de uma forma oblíqua de sugerir que ela não queira. Esse encontro com Adams é uma prova evidente de que Lula atua para reduzir a autoridade da presidente e deixar claro quem, afinal de contas, se quiser, está no comando.
Como é mesmo? O nome da doença da política brasileira é Luiz Inácio Lula da Silva. Ele faz pouco do estado de direito e se considera acima das instituições. Se Dilma quiser preservar a autoridade deve mandar Luis Inácio Adams para casa. Se não o fizer, abre a porta para o baguncismo em seu governo.
Adams já fez coisas espantosas, é verdade. Uma delas foi justificar a permanência no Brasil do terrorista Cesare Battisti nestes termos: "Há ponderáveis razões para supor que o extraditando seja submetido a agravamento de sua situação, por motivo de condição pessoal, dado seu passado, marcado por atividade política". Matar quatro pessoas, para Adams, é "atividade política".
Gente assim mata instituições com a mesma ligeireza com que Battisti matava pessoas.
Por Reinaldo Azevedo
Tudo saindo como quer Lula — e a tendência é que saia —, Fernando Haddad, ministro da Educação, caminha para ter a seu favor a mais fantástica máquina eleitoral jamais montada na cidade de São Paulo para tentar conduzir um político à Prefeitura. O PT e Lula vão entrar pra valer na campanha. Mas isso já era o esperado. Ocorre que boa parte da imprensa estará junto. Haddad, o leninista limpinho, é o queridinho das esquerdas incrustadas nos jornais, TVs e portais. Haddad é o arquiteto da fabulosa máquina de mentiras do lulo-petismo na educação. E continua a produzir mistificações. Nunca antes na história destepaiz um ministro notório pela incompetência foi tão incensado.
Vamos ver?
No dia 17 de agosto, junto com a presidente Dilma Rousseff, anunciou a criação de mais quatro universidades federais. No Estadão Online, por exemplo, podia-se ler:
"A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a criação de quatro novas universidades federais - a do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a do Sul da Bahia (Ufesba), a do Oeste da Bahia (Ufoba) e a da Região do Cariri (UFRC), no Ceará. Ao todo, as instituições contarão com 17 campi, sendo 12 novos. O governo prevê que elas iniciem suas atividades até 2014 e deve investir R$ 604 milhões nas instalações."Entendi. O lobo muda de pêlo, mas não muda de vício. Então são 17 novos campi, mas novos mesmo são 12 — cinco são velhos. A questão agora é saber quantos alunos serão abrigados, quando o forem, nos novos e quantos ficarão nos antigos. Haddad é um grande mestre da multiplicação de universidades que não existem. É uma pena que nunca se tenha feito um levantamento efetivo, in loco, de todas as instituições inventadas por ele. Por quê:
Até 2010, Lula afirmava ter criado 13 novas universidades federais. Mentira! Com boa vontade, pode-se dizer que foram seis. Na ponta do lápis, apenas quatro. A exemplo do que se viu no dia 17, as "novas" instituições são meros rearranjos, com desmembramentos e fusões, daquelas já existentes. E, como se nota, ele continua o mesmo.
No dia 24 de agosto de 2010 — vai fazer um ano amanhã —, publiquei alguns posts sobre a parolagem de Haddad. Em um deles, listava alguns dados sobre as universidades federais, a saber:
- Poucos sabem, certa imprensa não diz, mas o fato é que a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 - seis anos de mandato de Lula;- Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008);
- Nos oito anos de governo FHC, as vagas em cursos noturnos, nas federais, cresceram 100%; entre 2003 e 2008, 15%;
- Sabem o que cresceu para valer no governo Lula? As vagas ociosas em razão de um planejamento porco. Eu provo: em 2003, as federais tiveram 84.341 formandos; em 2008, 84.036;
- O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008;
- Sim, há mesmo a preocupação de exibir números gordos. Isso faz com que a expansão das federais, dada como se vê acima, se faça à matroca. Erguem-se escolas sem preocupação com a qualidade e as condições de funcionamento, o que leva os estudantes a desistir do curso. A Universidade Federal do ABC perdeu 42% dos alunos entre 2006 e 2009.
- Também cresceu espetacularmente no governo Lula a máquina "companheira". Eram 62 mil os professores das federais em 2008 - 35% a mais do que em 2002. O número de alunos cresceu apenas 21% no período;
- No governo FHC, a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16 alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa máquina de empreguismo.
São dados até 2008. Será que se operou uma revolução em dois anos? Ora… Os números divulgados na quarta-feira dão o que pensar. Haddad anunciou a criação de quatro universidades federais, previstas para funcionar em 2014, com um investimento, no período, de R$ 604 milhões. É mesmo, é? Então prestem atenção ao que vem agora.
Se a criação de quatro universidades federais demandarão R$ 604 milhões, como Haddad explica que A REALIZAÇÃO DO ENEM 2011 ESTEJA ORÇADO EM R$ 372,5 MILHÕES? No ano passado, saiu por R$ 128,5 milhões. O TCU achou tão estranho que mandou parar tudo. Atenção! Petista legítimo que é, Haddad deu um jeito de não fazer licitação. O MEC propôs a transformação do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), vinculado à Universidade de Brasília, em empresa pública e decidiu contratá-lo, na manha, para aplicar o próximo teste. Foi um truque.
Esse é Haddad. Precisa de quase R$ 400 milhões, sem licitação, para fazer o Enem, mas promete criar quatro universidades federais com R$ 604 milhões.
E como funcionam as novas universidades?
Os potenciais adversários de Haddad deveriam ir até as "novas universidades" para saber como elas funcionam. No dia 25 de agosto do ano passado, publiqueiaqui algumas informações. Relembrem:
As fantásticas universidades de Lula, feitas às pressas para que ele possa exaltar o seu desprezo generoso com o ensino universitário, são, na média, um exemplo de precariedade. Em vez de boa parte da imprensa ficar refém do aspismo, deveria apurar como funciona, por exemplo, a Unipampa (Universidade Federal do Pampa), no Rio Grande do Sul. Há quatro anos, divide-se em em instalações provisórias, espalhadas em 10 cidades. Alunos e professores ficam zanzando entre os campi, onde faltam salas e laboratórios.
Funcionam em prédios improvisados a Universidade Federal do Oeste do Paraná (Ufopa), a Federal de Alfenas (MG) e a Universidade federal Tecnológica do Paraná. O mesmo vai acontecer com a Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), que terá campus em Foz do Iguaçu (PR), com projeto de Oscar Niemeyer. Temporariamente, vai operar no Parque Tecnológico de Itaipu.
Outra boa pauta é a Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-árido), no Rio Grande do Norte. Eis aí: é só o rebatismo da Escola Superior de Agricultura de Mossoró, criada em 1967. O governo quadruplicou as vagas - as vagas! - em quatro anos e prometeu dois novos campi, que só existem no papel. Alunos reclamam que em laboratórios projetos para 20 alunos estão abrigando 50.
Basta ir lá e ver. Como basta pedir ao Ministério da Educação que forneça aqueles números que publiquei aqui ontem. Alguns petralhas se fingindo de educadinhos espernearam: "Cadê a fonte?" Ora, perguntem ao ministro cut-cut da Educação, Fernando Haddad.
Encerro este post apenas
Ainda não terminei. A grande obra de Haddad merece o meu desvelo.
Por Reinaldo Azevedo
Não é só Lula que quer Fernando Haddad candidato à Prefeitura de São Paulo. Dilma também torce por isso, por motivos distintos. A presidente não o queria na Educação. As trapalhadas no Enem a deixaram agastada com o ministro, mas o Babalorixá de Banânia insistiu, e ela acabou cedendo. A candidatura é uma forma de se livrar do homem.
Estima-se que as sucessivas burradas de Haddad à frente do Ministério da Educação já tenham custado algo em torno de R$ 200 milhões. Algumas se tornaram notórias, como o vazamento das provas do Enem. Ele torrou, por exemplo, R$ 1,8 milhão naqueles absurdos kits anti-homofobia, que foram jogados, apropriadamente, no lixo. Nada menos de R$ 13,6 milhões financiaram aqueles livros de matemática que ensinam que 10 menos sete é igual a quatro. Na primeira semana de junho, auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC responsável pelo Enem, determinou que o órgão apure os valores gastos com pagamento de diárias e passagens a servidores e colaboradores durante a reaplicação do exame.
Não terminei, não, com o meu exercício mnemônico sobre a obra de Fernando Haddad. Ele até pode vir a ser prefeito um dia, mas não porque sua biografia de homem público ficará oculta.
Por Reinaldo Azevedo
Planalto dá ultimato a Negromonte por envolvimento em conflito no PP
Por r Gerson Camarotti e Isabel Braga, no Globo:
Diante da briga de facções na bancada do PP na Câmara, emissários da presidente Dilma Rousseff mandaram um recado ao ministro das Cidades, Mário Negromonte: se ele insistir em se meter na disputa da bancada, poderá perder o cargo. E, se comprovada a denúncia de que ofereceu uma mesada de R$ 30 mil para deputados do PP , estará fora do governo. O tom do recado, de acordo com o núcleo palaciano, foi de ultimato.Deputados do PMDB pedem saída de Pedro Novais do Existe consenso no Planalto sobre a necessidade de substituir Negromonte na primeira reforma ministerial. Mas, entre auxiliares de Dilma, já há quem defenda uma mudança imediata nas Cidades, apesar do desgaste de mais uma troca. Desde a transição, a presidente queria ter mantido no cargo o ex-ministro das Cidades Márcio Fortes. Mas teve que aceitar a indicação da bancada.
Segundo interlocutores do ministro, ele tem dito que só está no governo por causa da indicação do PP e do convite de Dilma. Mas que não será um obstáculo para a mudança na pasta. Em nota divulgada nesta segunda-feira, Negromonte negou qualquer reunião partidária dentro das dependências do Ministério das Cidades e disse desconhecer "suposta oferta de dinheiro em troca de apoio ao líder do PP". Ele negou que tenha agido para interferir nas decisões da bancada do seu partido.
No governo, a avaliação é de que Negromonte perdeu a sustentação política da bancada. Independentemente da comprovação da denúncia da revista "Veja" sobre a oferta de uma mesada, o Planalto considera que a destituição do deputado Nelson Meurer (PP-PR) da liderança do partido e sua substituição pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) deixou o ministro numa sua situação delicada. Dos 41 deputados da bancada, 28 já estavam rebelados até esta segunda-feira. Aqui
Por Reinaldo Azevedo
Setores do PMDB já rifam Novais e cresce pressão sobre Paulo Bernardo
Por João Domingos e Eduardo Bresciani, no Estadão:
Mesmo após perder quatro ministros num prazo de dois meses e doze dias - três deles por suspeita de envolvimento em irregularidades e outro por falar mal dos colegas - e desencadear uma ofensiva de sedução dos partidos da base aliada, a presidente Dilma Rousseff não conteve a crise política da Esplanada. Setores do PMDB já falam abertamente na demissão de Pedro Novais do Turismo. Afora isso, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) entrou na mira da oposição por suposta carona em jato particular e deve seguir hoje o script do desgaste: convidado a falar na Câmara sobre radiodifusão digital, será questionado sobre o fato. O PSDB disse que tentará convocá-lo a depor futuramente.Ontem, Bernardo e a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, foram obrigados a divulgar nota sobre o uso de jatinhos privados na campanha eleitoral, em mais um dia de tensão na Esplanada. O ministro admitiu que, nos fins de semana, durante a campanha eleitoral de 2010, utilizou aeronaves de várias companhias - embora não tenha condições de citar quais. Paulo Bernardo disse que todas as viagens foram pagas pela coligação dos partidos em campanha no Paraná. "São de grande irresponsabilidade as ilações que tentam fazer sobre meu comportamento como ministro de Estado e o uso de aeronaves particulares. Jamais solicitei ou me foi oferecido qualquer meio de transporte privado em troca de vantagem na administração pública federal", disse.
A oposição quer sitiá-lo hoje com perguntas sobre viagens em aviões da Construtora Sanches Tripoloni, que presta serviços ao governo, principalmente na área de infraestrutura (…). O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que, "tal como postas na imprensa", as denúncias contra Paulo Bernardo "são graves". Mas afirmou que é preciso ver "caso a caso" se existe "promiscuidade" nos episódios de autoridades públicas viajando em jatos particulares de empresários.
"Temos de ver caso a caso se efetivamente essa promiscuidade existe. Se existir, efetivamente é indesejável", afirmou Gurgel. "O Ministério Público não pode se precipitar e formar o seu juízo a partir de notícias divulgadas pela imprensa. Ele precisa, a partir dessas notícias, reunir elementos que permitam formar um juízo seguro a respeito."
Afastamento. Para aumentar a crise, desentendimentos na bancada do PMDB podem contribuir para a queda de Novais. A vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), exigiu ontem o afastamento do ministro do Turismo, cuja indicação foi bancada pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) e pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "O Pedro Novais precisa sair. Ele tem uma história política e de vida e para reafirmá-la não pode ficar nessa de "não sabia". Para mim, ele participa, ele tem responsabilidade no que aconteceu no Turismo. Se eu vou montar uma equipe e tem pessoas assim, eu não aceito", disse Rose .
Dilma participa hoje de jantar com o PMDB para evitar o racha no partido. Parte significativa da bancada contesta a condução de Henrique Alves. Há deputados que reclamam dos critérios para a distribuição de relatorias. Afirmam que só parlamentares próximos a ele conseguem ficar à frente de projetos importantes.Aqui
Por Reinaldo Azevedo
O ministro Paulo Bernardo e as palavras
Leiam trecho de reportagem da Folha Online. Volto em seguida:
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou nesta segunda-feira, em nota, que utilizou aeronaves de "várias empresas" no ano passado, mas que não se lembra os "prefixos e tipos, ou proprietários, dos aviões". Bernardo disse que a utilização das aeronaves privadas se deu durante a campanha eleitoral, "nos fins de semana, feriados e férias", e que o serviço foi pago. Na época, ele era ministro do Planejamento do governo Lula.
"Além de totalmente inverídicas, são de grande irresponsabilidade as ilações que tentam fazer sobre meu comportamento como Ministro de Estado e o uso de aeronaves particulares. Esclareço que jamais solicitei ou me foi oferecido qualquer meio de transporte privado em troca de vantagem na administração pública federal", diz a nota assinada pelo Ministro.
Sobre o uso dos jatinhos no período de campanha, ele escreve: "Em 2010, quando era ministro do Planejamento, participei, nos fins de semana, feriados e férias, da campanha eleitoral do meu Estado, Paraná. Para isso, utilizávamos aviões fretados pela campanha, o que incluiu aeronaves de várias empresas, que receberam pagamento pelo serviço. Não tenho, porém, condições de lembrar e especificar prefixos e tipos, ou proprietários, dos aviões nas quais voei no período."
A mulher do ministro, a também ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), foi candidata ao Senado pelo Paraná na eleição de 2010. Ela também divulgou nota hoje, um pouco antes do marido, na qual afirma que utilizou "para deslocamentos avião fretado, com contrato de aluguel firmado".
O PSDB informou ontem que irá propor a convocação de Paulo Bernardo para que explique no Senado o seu envolvimento com a empreiteira Sanches Tripoloni.
Comento
Há uma sutileza importante na nota de Paulo Bernardo, que não se lembra direito de quantas aeronaves usou, seus prefixos etc: "Esclareço que jamais solicitei ou me foi oferecido qualquer meio de transporte privado em troca de vantagem na administração pública federal".É uma saída inteligente, sem dúvida. Ainda que se venha a provar que Bernardo usou mesmo o jatinho da Sanches Tripolini, o ministro pode dizer que não foi "em troca de vantagem na administração pública" — que é rigorosamente o que disse Wagner Rossi em situação similar.
Por Reinaldo Azevedo
Bernardo ataca imprensa
Um batalhão de choque foi convocado pela bancada do PT na Câmara para blindar Paulo Bernardo das investidas da oposição na audiência da Subcomissão de Rádio Digital. Bernardo virou alvo por conta da revelação de suas viagens em aviões de empresários.
Como era esperado, tão logo terminou a fala sobre radiodifusão, Bernardo foi bombardeado por uma sequência de perguntas sobre sua relação com a Construtora Sanches Tripoloni.
Onyx Lorenzoni (DEM-RS) quis saber se Bernardo fazia ideia das razões do surpreendente crescimento dos negócios da construtora com o governo, no período em que ele comandava o Planejamento.
Arlindo Chinaglia argumentou que o tema da reunião é rádio digital – não as viagens do ministro – e pediu que o regimento fosse respeitado para poupar Bernardo.
De todo o modo, Bernardo já falou sobre tudo. Até criticou a imprensa – um daqueles recursos batidos das autoridades sem repostas, apanhadas em flagrante. Bernardo disse que as reportagens precisam ser melhor apuradas. Enfim, Bernardo falou sobre tudo, menos sobre as condições em que se deram as caronas no avião da construtora.
Bernardo chamou os jornalistas de desleixados e preguiçosos. Jornalistas assim, existem aos montes, embora em geral os qualificados dessa maneira sejam justamente os que incomodam as autoridades.
Mais tarde, depois de muito falar e pouco responder – sobre PAC, sobre obras no Rio Grande do Sul e até sobre sua relação com Luiz Antônio Pagot – Paulo Bernardo foi alertado pela oposição que as questões sobre o avião da Sanches Tripoloni ainda estavam em aberto.
Sem muita saída, Bernardo respondeu o que já se sabia: conhece dois os sócios da construtora e pegou carona algumas vezes no avião da empresa. Não respondeu nada além. Sobre as viagens de Gleisi Hoffmann, sua mulher, evitou responder alegando que não tinha procuração para tanto:
- A Gleisi não me dá procuração nem para pagar a conta da luz.
A oposição desistiu de continuar perguntando. Bernardo safou-se por ora.
Por Lauro Jardim
Epa, Paulo Bernardo! Assim, não! Ou: Ministro pretende que a imprensa seja mais criteriosa com sua biografia do que ele próprio
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) sempre procurou ser um petista, como posso dizer?, algo diferenciado. Parece avesso ao jogo bruto de alguns de seus pares. Mas sabem como é a natureza… Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida.
Por Andreza Matais, na Folha Online:
Cobrado pela oposição sobre se usou um avião da empresa Sanches Tripoloni enquanto ministro, Paulo Bernardo (Comunicações) respondeu, nesta terça-feira (23), que não se lembra dos prefixos das aeronaves em que viajou no ano passado. A declaração foi feita em audiência pública na Câmara para tratar da implantação da rádio digital no país. Bernardo foi cobrado pela oposição a esclarecer suas relações com a empreiteira que tem obras com o governo federal no Paraná, terra do ministro, e doou recursos para a campanha da mulher dele, a também ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil.Apesar de ter dito que não se lembra do prefixo da aeronave que utilizou, Paulo Bernardo afirmou que seria cauteloso na resposta porque "daqui a pouco aparece uma foto" dele num avião da empresa e vão dizer que ele mentiu. O ministro disse apenas que se lembra que "pegou carona" numa aeronave pequena, mas não disse a quem pertencia. A aeronave da Sanches Tripoloni é um turbo hélice. O ministro afirmou ainda que é amigo há anos de um dos donos da empresa.
Na segunda-feira (22), em nota, ele já havia informado que utilizou aeronaves de "várias empresas" no ano passado, durante a campanha eleitoral, "nos fins de semana, feriados e férias", e que o serviço foi pago. O petista fez críticas à imprensa que publica informações "em off" (sem identificar o autor da denúncia). "[Depois] eu sou obrigado a dar explicações sobre uma suposta informação", afirmou.
Ele disse que o jornalista não pode ser "desleixado, preguiçoso" e que tem que apresentar provas sobre o que publica. "A imprensa tem a liberdade de expressão, de circular a informação, ninguém pode pretender cercear, mas o mínimo que se pode pedir é que as matérias sejam apuradas, verificadas." Bernardo afirmou ainda que não tem procuração para falar sobre a ministra Gleisi, mas que, quando usou o avião da empresa, ela não era agente pública e não pode ser cobrada por isso. Segundo o ministro, as aeronaves que eles usaram na campanha da ministra ao Senado no ano passado foram pagas pelo partido ou pela campanha.
Voltei
O PT tem se esforçado, desde que chegou ao governo, em 2003, para ensinar à imprensa o seu ofício. Os petistas achavam certamente que bom jornalismo era aquele que se fazia quando o partido estava na oposição. Chegando ao governo, de súbito, o que parecia virtuoso começou a se revelar incômodo; o pau que batia em Chico, seus adversários, começou a bater também em Francisco, e aí os companheiros tiveram um idéia: "É preciso fazer o controle social da mídia" — eles chamam jornalismo de "mídia" porque isso confere um certo aspecto conspirador à atividade; uma conspiração contra o povo, que todo petista encarna, como é sabido…Em favor de Bernardo e de Dilma, por enquanto ao menos e nesse particular, diga-se algo a favor: aposentaram os delírios de Franklin Martins e dinossauros afins, mas ainda sem desmantelar a rede suja da Internet, sustentada com dinheiro público. Adiante! Mas se nota que o ministro tem aquela mesma disposição de seus pares de dizer aos jornalistas qual é o bom caminho — um caminho que não encha o saco de petistas.
Ontem, interpretei aqui a inteligente nota divulgada por Paulo Bernardo. O texto teve o cuidado de não negar que ele tenha andado num avião da construtora Sanches Tripolini. Com habilidade, afirmou que o ministro não fez vôo nenhum em troca de favores. O próprio Bernardo revela a intenção da nota, que detectei precocemente: indagado hoje se voou ou não na aeronave, afirmou que seria cauteloso. Acabou não dizendo nem "sim" nem "não", afinal, ponderou, "daqui a pouco aparece uma foto", e ele passa por mentiroso. Profissional e prudente. Tivesse a certeza de que não fez o vôo, não haveria possibilidade de foto, certo? Bernardo precisa tomar cuidado para não acabar assumindo como também sua uma frase histórica de José Dirceu: "Estou cada vez mais convicto da minha inocência…"
Participei de um programa Roda Viva, há alguns anos, com o agora deputado Paulo Maluf (PP-SP). Havia uma conta na Suíça em seu nome, o que era confirmado pelas autoridades daquele país. Ele negava que fosse sua. Eu o desafiei: "Olhe para a câmera e diga: 'As autoridades suíças são mentirosas'". Sabem o que ele me respondeu? "Isso é você que está dizendo, Reinaldo, eu não disse". E o homem tentou me convencer de que as duas coisas eram possíveis: nem ele tinha conta na Suíça nem as autoridades daquele país mentiam. Entenderam?
Os políticos gostam dessa zona cinzenta em que a verdade desaparece, como se houvesse uma terceira dimensão, que não é nem a do fato nem a do não-fato. E, obviamente, não há.
Paulo Bernardo pede mais cuidado aos jornalistas. Certo! Acusa-os de um tanto preguiçosos, relaxados talvez… Na Câmara, no entanto, quem se mostra com a memória fraca sobre a própria biografia é ele, não é mesmo? Afinal de contas, não se trata apenas do homem privado "Paulo Bernardo" a voar no jato deste ou daquele, mas de uma autoridade da República.
Não acho que seja fato, mas digamos que houvesse mesmo esse descuido de que fala Bernardo: estariam os jornalistas sendo mais descuidados com a biografia do ministro do que é ele próprio? Afinal, vai que apareça uma foto…
Por Reinaldo Azevedo
É ou não legítimo orar também por estes mortos?
Algumas das lambanças que estão por aí hoje nascem da falácia segundo a qual certas forças sociais são naturalmente inocentes, ainda que culpadas; e outras, naturalmente culpadas, ainda que inocentes. Sempre que isso acontece, a história vai para o ralo, e o que se tem é só ideologia vagabunda.
Este blog deplora a violência na política, venha ela de onde vier. Lastima que, durante o regime militar, servidores do estado tenham torturado e matado pessoas que já estavam rendidas. E lastima também que outros tantos tenham aderido ao terrorismo como método. Só que há uma diferença relevante: não sobrou ninguém, o que é bom, para cantar a glória dos torturadores. Mas os mistificadores do terror estão por aí — alguns no poder! —, o que é ruim. Organizaram-se, no passado, para impor uma ditadura por meio da violência e agora recontam a história como se só tivessem lutado por democracia, o que é uma formidável falsificação da história.
Por que digo que lá está a origem de alguns desmandos de agora? Já acreditavam, então, que todos os seus atos estavam naturalmente perdoados porque, afinal, diziam querer o bem da humanidade. Os assassinos de ontem estão justificando os ladrões de agora.
Poucas pessoas sabem — e os livros de história das nossas escolas não dizem uma vírgula a respeito — que 119 pessoas, entre civis e militares, morreram assassinadas pelos movimentos de esquerda no Brasil entre 1964 e 1974. Entre elas, encontravam-se pessoas que nem mesmo estavam ligadas "à luta": morreram porque se encontravam no lugar errado na hora errada. Um esquerdista convicto diria que foram alvejadas pela história, mero dano colateral… Os mais de R$ 4 bilhões em indenizações para as "vítimas da ditadura" não atenderam a nenhuma das famílias desses mortos. Isso quer dizer que há os "mortos de valor" — de esquerda — e os sem valor.
Muito bem! O meu negócio é democracia e liberdade de expressão. Quem realmente defende esses valores? Os Clubes Militares encomendaram para depois de amanhã uma missa em homenagem àquelas 119 pessoas mortas pelos terroristas de esquerda. Ela se realiza na Igreja da Irmandade da Santa Cruz dos Militares, às 11h. Acima, vai o convite. Se você clicar aqui, encontrará os posts com os nomes das vítimas e as organizações de esquerda que os mataram. Afinal, faz-se um esforço brutal para transformá-las em não-pessoas, eliminando-as da história.
Num momento em que se discute a instalação da Comissão da Verdade, nada como a… verdade!!!
Por Reinaldo Azevedo
"Meu interesse está no futuro porque é lá que vou passar o resto da minha vida.""Se você está compromissado com o seu objetivo, é possível!"Se não deseja continuar recebendo mensagens deste grupo enviar e.mail para:cancelar-menteestrategica@grupos.com.br
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Marcos Pinto Basto
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