RES: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de TI para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Boa Tarde à todos,

Como fornecedor para a área de informática em Saúde tenho várias constatações e críticas a respeito de como desenvolvemos sistema para esta área tão complexa que é a saúde.

Está certo quem colocou que os desenvolvedores pensam que estão desenvolvendo sistemas bancários ou estoques, quando desenvolvem sistema de saúde, pois nossa área nasceu deste tipo de necessidade, desde o processamento de dados das contas do SUS, "evoluindo" para controle de estoque, SAME, finanças... etc... ou seja, processos burocráticos , principalmente focados em legislação e faturamento hospitalar que foram a gênese dos ERPs hospitalares.

O difícil para todas as empresas é tornar estes sistemas burocráticos em sistemas com abordagem adequada para área clínica. Muitos fornecedores estão re-desenvolvendo, mas acho que a saída é ouvir quem entende, que é o cliente da área assistencial.

Também não podemos abandonar a evolução, no que chamo logística hospitalar e aderência legal (portarias, SUS, TISS...), mas criar uma "camada" consistente para esta área assistencial que tem muito a evoluir. Já vi sistemas estrangeiros com o estado da arte na área assistencial que não conseguiram fazer uma implantação adequada no Brasil por problemas de localização do software.

Depois de alinhada a questão de ERP Hospitalar + Sistema Clínico, podemos pensar em custo-efetividade dos procedimentos e eficiência assistencial, refletindo em excelência operacional, tangilibizando, finalmente, os benefícios que a área de informática em Saúde pode trazer as Organizações (ROI).

 

Cordialmente,

 

 

 

 

De: sbis_l@googlegroups.com [mailto:sbis_l@googlegroups.com] Em nome de Andre Mena Avila
Enviada em: segunda-feira, 17 de setembro de 2012 08:29
Para: sbis_l@googlegroups.com
Cc: sbis-News@yahoogrupos.com.br; Edumed News; listas@edumed.org.br
Assunto: RES: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de TI para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas

 

Bom dia João Marcelo,

 

O seu comentário sobre o preparo dos profissionais de informática para atuar na área da saúde generalizando com base nos seus contatos é como quando as pessoas comentam que médicos só sabem diagnosticar que as pessoas estão com viroses.

 

Lembrando, dentre os profissionais de informática, assim como na medicina, existem diversas especializações, não sei com que tipo de profissionais de informática está suas relações.

 

Os profissionais de informática atuam como área meio, por tanto, fazem a integração entre o conhecimento do negócio dos profissionais de saúde e SUAS necessidades com o desenvolvimento propriamente dito para a solução proposta sem fundamental à participação da equipe multidisciplinar de saúde nesse processo. Se as soluções não passam de “toscas imitações”, será que a equipe multidisciplinar de saúde não está solicitando dessa forma sem dar espaço para sugestões dos “profissionais de informática” ? Será que os problemas citados por ti realmente são em função desses “profissionais de informática” ?

 

A resposta é essa: por que o pessoal de informática não sabe. Não quer ouvir o cliente. E quando ouve,  se dá conta que precisa aprender ferramentas que não dominam ainda.

 

Se o pessoal de informática não sabe no seu local de trabalho ou onde foi citado como “exemplo” então deveriam rever o nível desse pessoal, sem generalizar. O não “querer ouvir o cliente” não está relacionado à quantidade de demandas de “clientes” além de ti para o número restrito de profissionais capacitados (ou não) para atender a todas as demandas solicitadas ? Imagine se em um hospital com um número expressivo de profissionais de saúde, os profissionais de informática fossem atender as sugestões pessoais de cada um. Quantos profissionais de TI seriam necessários considerando a solução esperada por cada um ?

 

O Brasil cada vez mais vem sendo considerado como referência em TI com investimentos expressivos de empresas globais que inclusivem investem na capacitação para formação de novos profissionais na área. Será que contratam profissionais aqui que ficam somente contando o número de linhas de código ?

 

 

Atenciosamente,

 

André Mena Ávila

Seção de Consultoria

Coordenadoria de Gestão da Tecnologia da Informação - CGTI

Hospital de Clínicas de Porto Alegre - www.hcpa.ufrgs.br

Fone: (51) 3359-8679

 


De: sbis_l@googlegroups.com [mailto:sbis_l@googlegroups.com] Em nome de JM
Enviada em: domingo, 16 de setembro de 2012 11:22
Para: sbis_l@googlegroups.com
Cc: sbis-News@yahoogrupos.com.br; Edumed News; listas@edumed.org.br
Assunto: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de TI para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas

 

Sou médico e há muitos anos interessado em informática na saúde.

Gostaria de tecer algumas considerações sobre o preparo dos profissionais de informática para atuar na área da saúde.

Acho que os profissionais de informática não percebem as diferenças entre a prática profissional em saúde e sistemas bancários, cartões de crédito e gerenciamento de estoques.

Em geral, se fascinam por ontologias e árvores semânticas, relutando (ou não conseguindo) perceber que o raciocínio clínico é muito mais nebuloso e baseado em padrões. Nosso conhecimento vem de bases incertas, sem limites pré-definidos.

Vejo hoje prontuários eletrônicos que não passam de toscas imitações do prontuário de papel. Colocam lá, como quem jogasse em uma caixa, CIDs eletrônicos. Mas quem oferece exames complementares na forma de sistemas de apoio a tomada de decisão que sejam interessantes para aquele CID cadastrado? Quem audita em tempo real a pertinência de um pedido de exames de triagem (sensíveis e não específicos) quando exames de alta especificidade já estão com o resultado disponível para aquele determinado paciente? Quantos estão lendo esse parágrafo sem entender do que eu estou falando?

Nunca vi nos meios onde circulo um prontuário eletrônico que oferecesse sequer uma busca de “string” para o corpo das evoluções. Quanto mais buscas metaindexadas como as do UptoDate, que quando procuramos por petéquias e ele devolve tópicos que tratarão também de plaquetopenia.

Vejo como é fácil para o profissional da informática propor gerenciamentos por curva A, preparar agendas para melhor aproveitamento de salas em centros cirúrgicos ou cruzar fármacos de uma prescrição (usando tabelas prontas, claro) em busca de interações medicamentosas. Mas não vejo eles propondo soluções para saber se o fármaco caro era adequado para as patologias do paciente, nem fazendo sistemas que considerem o tempo de espera do paciente por aquele procedimento que será adiado ou cancelado, tampouco filtrando dezenas de interações estilo pop-up induzindo o usuário à fechá-las mesmo antes de ler.

Faço mestrado e tenho lá contato com as ferramentas de inteligência artificial. Propus nos hospitais onde trabalho que se customizasse a lista de solicitação de exames complementares pelo número do conselho. Eu, na minha especialidade, tendo a necessitar de uma dúzia de exames com muito mais frequência que as centenas que o hospital dispõe. Por que o sistema não consegue me apresentar aqueles em primeiro plano? Por que quando solicito uma angiotomografia (cara e com contraste) ninguém me pergunta antes se uma solicitação de d-dímeros não poderia fornecer informação útil em 30 minutos?

A resposta é essa: por que o pessoal de informática não sabe. Não quer ouvir o cliente. E quando ouve,  se dá conta que precisa aprender ferramentas que não dominam ainda.

Recentemente, ouvi de um analista sênior (ele vai reconhecer a frase se lê-la): “nossas rotinas são excelentes, têm mais de duas mil linhas de código”. Ora, isso é critério de qualidade para sistemas de saúde? De uma das analistas que trabalham com ele, ouvi há anos atrás que o sistema do hospital era o melhor por que tinha mais de duas mil telas. Pelo amor de Deus... Me sinto dialogando com um profissional da IBM. Só que na década de 70.

Redes bayesianas (excelentes por simularem muito bem a forma como se pensa diagnósticos diferenciais e se escolhe investigações e condutas), regras de produção (para sistemas de apoio à decisão alimentados por guidelines clínicos), redes neurais para aprender padrões de comportamento de determinados profissionais ou equipes... Onde estão? Não falo nem de algoritmos genéticos nem mapas de estado...

Sinto muito dizer isso, mas acho sim que há despreparo entre os profissionais de informática. Prontuários ingênuos que acumulam menus e penduricalhos, mostram calculadoras e importam tabelas de cruzamento sem adaptá-las não é o que se precisa. Precisamos de gente que programa como a heurística que prevê o uso fora de padrão do cartão de crédito. Não como o sujeito que programa o débito automático ou o gerenciamento de estoque. Se o Google pode me dizer que vou terminar um email sem anexar (como disse como disse que iria) ou que se quero ir para algum lugar provavelmente vou querer partir de onde estou agora, por que nenhum prontuário me avisa que internei um infartado sem prescrever AAS ou adivinha que se pedi uma transaminase é provável que eu queira também outras provas de função hepática?

Sou otimista quanto ao futuro. Mas para isso, alguém tem que ter a coragem e o investimento de querer fazer diferente. 


Em sexta-feira, 24 de agosto de 2012 12h09min43s UTC-3, Renato Sabbatini escreveu:

Falta de profissionais de TI para a saúde está longe de ser resolvido,
dizem especialistas

Os cursos atuais não dão conta de atender a demanda por profissionais de
TI para a saúde e especialistas preveem um sério entrave para o
desenvolvimento do setor no longo prazo. O assunto foi tema do 3º Fórum
Saúde Digital, evento promovido nesta quarta-feira, 22, pela revista TI
INSIDE, em São Paulo.

Por mais que o setor de TI enfrente escassez de mão de obra como um
todo, para o diretor técnico do Departamento de Saúde do governo do
estado de São Paulo, André Luiz de Almeida, o problema será agravado. "A
demanda por profissionais para a saúde é ainda maior, pois crescemos a
níveis superiores que o mercado de TI. Além disso, há pouquíssimos
cursos voltados para a área, com alta necessidade de especialização",
argumenta.

Segundo diretor de educação e capacitação da Sociedade Brasileira de
Informática e Saúde (SBIS), Renato Sabbatini, a área é essencialmente
interdisciplinar e combina dois setores totalmente diferentes,
dificultando ainda mais a absorção de pessoas atuando em outras áreas.
"Por ano, formamos não mais que 200 especialistas. São apenas dois
cursos de bacharelado em todo o país", lamenta.

A SBIS lançou no ano passado o Programa de Profissionalização da
Informática em Saúde (proTICs), com uma série de medidas para atingir 10
mil trabalhadores qualificados até 2020, sendo 400 deles atestados com o
Certificado Profissional em Tecnologia da Informação e Comunicação em
Saúde (cpTICs). O plano de carreira desenvolvido pela SBIS engloba a o
preparo em três eixos de competência: TICs (gestão de tecnologia da
informação e comunicações), saúde ( serviços clínicos e sistema de saúde
brasileiro) e gestão (gestão de projetos, gestão organizacional e
comportamental, vigilância, controle e avaliação).

Almeida elogia a iniciativa, mas a considera insuficiente para atender
às necessidades do país. Ele cita como exemplo mercados maduros como os
Estados Unidos, que passaram por essa fase há cerca de dois anos, com a
criação de programas de incentivo de modernização da saúde pelo governo
federal. "A situação é pior que importarmos executivos, impedindo a mão
de obra local em cargos de liderança. É possível notar a barreira para a
atuação de novas companhias no mercado nacsional simplesmente porque não
há ecossistema de recursos humanos", defende.

(Fonte: TI Inside, 22 de agosto de 2012)

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