Re: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de TI para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas

terça-feira, 18 de setembro de 2012
Prezados,
Excelente debate!
Eu encaro a área de informática em saúde como um desafio constante.
Existe um marco regulatório (CFM, ANS, MS) que impõe velocidade na
mudança de versões. E isto toma tempo, além do fato que muitas vezes
quem "baixa" a "regra" não tem muita boa vontade de retornar as
dúvidas dos desenvolvedores. Alguns casos são difíceis de implementar
com o prazo colocado.
Quando um analista de negócio chega para conversar com um cliente, ele
vê um cliente que muitas vezes não tem a menor idéia de onde quer
chegar. Alguns médicos querem uma interface "a sua cara", outros
querem "que funcionem como meu celular". Esquecem que desenvolver
regras, exige tempo, esforço, testes e custos. E querem tudo isto no
menor valor possível.
Não discordo que sistemas que usem melhores práticas, tecnologia e
I.A. sejam desejáveis. Mas eu vejo a questão: quanto se quer e se pode
pagar por isto? As linhas de financiamento de tecnologias de ponta são
obscuras, existe muita dificuldade em encontrar profissionais de saúde
que realmente tenham vontade de ajudar os desenvolvedores a pensarem
sistemas melhores. E, sejamos francos, quantos hospitais filantrópicos
realmente tem grana sobrando para investirem pesado em sistemas
clínicos, com a preocupação dos gestores focada em "cobrar bem para
dar conta dos custos"?
Sistemas inteligentes realmente podem ajudar a reduzir e, em muitos
casos, até a diminuir o tempo de internação. Mas quem vai pagar por
uma equipe de analistas, arquitetos de software, e todos os
profissionais que desenvolvem este tipo de tecnologia? Não existe
almoço grátis na área de TI. Alguma hora a conta aparece. E muitas
softwarehouses de saúde estão mais preocupadas com fazer bem feito o
"feijão com arroz" que os administradores precisam para pagar os
sistemas. E, em diversos casos, enfrentando um turn-over de
funcionários de ti alto demais.
Fora ainda que no interior, muitos hospitais pegam técnicos de
informática que não se preocupam em entender o negócio. Tenho colegas
que seguram a ponta de sistemas de hospitais de 70, 100 leitos com
salários inferiores a R$1.000,00. E tem que lidar com o fato de não
terem grana sequer para pagar um curso de atualização, ou mesmo um
servidor mais eficiente para aguentar o processamento de contas
médicas.
Ainda existe um desalinhamento muito grande entre o ideal, o real e o
que pode ser feito hoje. Os atores de saúde conversam pouco.
Administradores hospitalares não são preocupados com a eficiência do
seu corpo clínico com a mesma preocupação que analisam planilhas de
custo, programadores acham que os médicos "viajam demais" e o governo
cobra muito, e oferece muito pouco para melhorar o cenário.
As iniciativas atuais de diálogo e cooperação são importantíssimas.
Mas ainda existem barreiras ainda a serem vencidas. A comunicação deve
ser clara, a "grana" deve estar lá e tem que existir motivação em
todos para resolver estes conflitos. Sem isto, subir esta montanha é
tarefa quase impossível!
Abraços!

Em 18 de setembro de 2012 09:21, Lucas Rizzi - T.I. Sermed Saúde
<lucasrizzi@sermedsaude.com.br> escreveu:
> É isso mesmo Piero, quem é que nunca ouviu de um cliente: "Ah mas isso meu
> sobrinho de 15 anos faz..." quando damos o orçamento de algum trabalho de
> TI...
>
>
>
> Infelizmente uma boa parte dos gestores de TI veem a área como um gasto
> necessário, e não como estratégia de negócio.
>
>
>
> A questão é muito mais complexa do que se imagina. Pois há profissionais mal
> preparados dos dois lados. Tanto de gestão de negócio quanto de TI em si.
>
>
>
> Infelizmente.
>
>
>
> Obrigado!
>
>
>
> Lucas Rizzi
>
>
>
> De: sbis_l@googlegroups.com [mailto:sbis_l@googlegroups.com] Em nome de
> Piero
> Enviada em: domingo, 16 de setembro de 2012 14:18
>
>
> Para: sbis_l@googlegroups.com
> Cc: sbis-News@yahoogrupos.com.br; Edumed News; listas@edumed.org.br
> Assunto: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de TI para
> a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas
>
>
>
> Os dois sistemas de prontuário eletrônico que tive contato foram programados
> por estagiários dos primeiros semestres do curso de ciência da computação ou
> mesmo garotos do ensino médio treinados para criar sistemas de estoque em
> Object Pascal. Acredito que o problema está na gestão: quem contrata gasta
> muito em publicidade, design, carros de luxo, e deixa os restos para
> programadores. Não parece ridículo?
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José Henriques Júnior
Analista de Sistemas
SBIS/SBC

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