[sbis_l] Falta de profissionais de TI para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Boa tarde a todos.
Não podemos esquecer que a Tecnologia da Informação é uma
engenharia, igual a civil, alimentar, farmacêutica.
Ninguém ousa pedir para fazer um hospital, consultório ou sua
própria casa, negligenciando a planta da casa, feita por um arquiteto ou
engenheiro. Ninguém ousa pedir para mudar o destino da ponte, ou da sacada,
o fosso de um elevador, depois de feita e quando já estamos pintando e dando
acabamento.
Por que na TI não é assim? Isso é uma questão que começa lá trás.
Todo ser humano sabe, mesmo que em linhas gerais, como se faz uma casa, uma
fundação, ou ponte ou mesmo um navio ou carro. Todos temos ideias do passo a
passo na feitura desses objetos.
Todo mundo sabe, mesmo que de forma muito simplista, qual a
diferença e como funciona um vírus e uma bactéria, qual a profilaxia para a
gripe, resfriado e etc... minha avó tem receitas milagrosas.
Quando a humanidade fazia pirâmide, poucos ousavam pedir que se
mudasse de lugar depois de pronta. Por que pedimos para mudar o botão, a
tela, a sequência da gravação e etc? Ledo engano achar que é mais fácil... o
estrago pode ser bem maior..
Talvez a resposta resida no fato de a chegada da tecnologia foi
muito mais rápida, no cotidiano do ser humano, do que qualquer outra
ciência, com tamanho paradigma. Matemática, Línguas, Geometria, Astronomia e
Medicina são milenares e suas maravilhas e os trabalhos excepcionais que os
profissionais conquistam são um avanço, não há dúvida, que toda humanidade
agradece, mas não é um paradigma.
Lembro que se a TI tem 50, 60 anos, as demais tem séculos. Se não é
tão nova, podemos dizer que hoje na Terra não existe nenhum ser humano mais
velho que as demais ciências citadas, mas muitos são mais velhos que a
própria ciência da tecnologia da informação, logo a TI pode ser considerada
uma novidade, até certo ponto, ainda em fase de entrada nos lares mentais e
espirituais de cada pessoa.
Talvez aí a dificuldade. Vamos dar tempo ao tempo que tudo se
ajeita.
Lembro de uma frase no filme 'O Gladiador', quando o Maximus, vendo
o Coliseu, exclamou: Nunca imaginei que o homem fosse capaz de construir
algo assim.
Grande abraço a todos e vamos juntos!
Gottschall, Marinilton
(11)98422-0330
(11)97473-6508
-----Mensagem original-----
De: sbis_l@googlegroups.com [mailto:sbis_l@googlegroups.com] Em nome de Jose
Henriques Junior
Enviada em: terça-feira, 18 de setembro de 2012 16:44
Para: sbis_l@googlegroups.com
Assunto: Re: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de TI
para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas
Prezados,
Excelente debate!
Eu encaro a área de informática em saúde como um desafio constante.
Existe um marco regulatório (CFM, ANS, MS) que impõe velocidade na mudança
de versões. E isto toma tempo, além do fato que muitas vezes quem "baixa" a
"regra" não tem muita boa vontade de retornar as dúvidas dos
desenvolvedores. Alguns casos são difíceis de implementar com o prazo
colocado.
Quando um analista de negócio chega para conversar com um cliente, ele vê um
cliente que muitas vezes não tem a menor idéia de onde quer chegar. Alguns
médicos querem uma interface "a sua cara", outros querem "que funcionem como
meu celular". Esquecem que desenvolver regras, exige tempo, esforço, testes
e custos. E querem tudo isto no menor valor possível.
Não discordo que sistemas que usem melhores práticas, tecnologia e I.A.
sejam desejáveis. Mas eu vejo a questão: quanto se quer e se pode pagar por
isto? As linhas de financiamento de tecnologias de ponta são obscuras,
existe muita dificuldade em encontrar profissionais de saúde que realmente
tenham vontade de ajudar os desenvolvedores a pensarem sistemas melhores. E,
sejamos francos, quantos hospitais filantrópicos realmente tem grana
sobrando para investirem pesado em sistemas clínicos, com a preocupação dos
gestores focada em "cobrar bem para dar conta dos custos"?
Sistemas inteligentes realmente podem ajudar a reduzir e, em muitos casos,
até a diminuir o tempo de internação. Mas quem vai pagar por uma equipe de
analistas, arquitetos de software, e todos os profissionais que desenvolvem
este tipo de tecnologia? Não existe almoço grátis na área de TI. Alguma hora
a conta aparece. E muitas softwarehouses de saúde estão mais preocupadas com
fazer bem feito o "feijão com arroz" que os administradores precisam para
pagar os sistemas. E, em diversos casos, enfrentando um turn-over de
funcionários de ti alto demais.
Fora ainda que no interior, muitos hospitais pegam técnicos de informática
que não se preocupam em entender o negócio. Tenho colegas que seguram a
ponta de sistemas de hospitais de 70, 100 leitos com salários inferiores a
R$1.000,00. E tem que lidar com o fato de não terem grana sequer para pagar
um curso de atualização, ou mesmo um servidor mais eficiente para aguentar o
processamento de contas médicas.
Ainda existe um desalinhamento muito grande entre o ideal, o real e o que
pode ser feito hoje. Os atores de saúde conversam pouco.
Administradores hospitalares não são preocupados com a eficiência do seu
corpo clínico com a mesma preocupação que analisam planilhas de custo,
programadores acham que os médicos "viajam demais" e o governo cobra muito,
e oferece muito pouco para melhorar o cenário.
As iniciativas atuais de diálogo e cooperação são importantíssimas.
Mas ainda existem barreiras ainda a serem vencidas. A comunicação deve ser
clara, a "grana" deve estar lá e tem que existir motivação em todos para
resolver estes conflitos. Sem isto, subir esta montanha é tarefa quase
impossível!
Abraços!
Em 18 de setembro de 2012 09:21, Lucas Rizzi - T.I. Sermed Saúde
<lucasrizzi@sermedsaude.com.br> escreveu:
> É isso mesmo Piero, quem é que nunca ouviu de um cliente: "Ah mas isso
> meu sobrinho de 15 anos faz..." quando damos o orçamento de algum
> trabalho de TI...
>
>
>
> Infelizmente uma boa parte dos gestores de TI veem a área como um
> gasto necessário, e não como estratégia de negócio.
>
>
>
> A questão é muito mais complexa do que se imagina. Pois há
> profissionais mal preparados dos dois lados. Tanto de gestão de negócio
quanto de TI em si.
>
>
>
> Infelizmente.
>
>
>
> Obrigado!
>
>
>
> Lucas Rizzi
>
>
>
> De: sbis_l@googlegroups.com [mailto:sbis_l@googlegroups.com] Em nome
> de Piero Enviada em: domingo, 16 de setembro de 2012 14:18
>
>
> Para: sbis_l@googlegroups.com
> Cc: sbis-News@yahoogrupos.com.br; Edumed News; listas@edumed.org.br
> Assunto: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de
> TI para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas
>
>
>
> Os dois sistemas de prontuário eletrônico que tive contato foram
> programados por estagiários dos primeiros semestres do curso de
> ciência da computação ou mesmo garotos do ensino médio treinados para
> criar sistemas de estoque em Object Pascal. Acredito que o problema
> está na gestão: quem contrata gasta muito em publicidade, design,
> carros de luxo, e deixa os restos para programadores. Não parece ridículo?
>
> --
> ----------------------------------------------------------
> Seja associado da SBIS!
> Visite o site www.sbis.org.br
>
> --
> ----------------------------------------------------------
> Seja associado da SBIS!
> Visite o site www.sbis.org.br
--
José Henriques Júnior
Analista de Sistemas
SBIS/SBC
--
----------------------------------------------------------
Seja associado da SBIS!
Visite o site www.sbis.org.br
--
----------------------------------------------------------
Seja associado da SBIS!
Visite o site www.sbis.org.br
Não podemos esquecer que a Tecnologia da Informação é uma
engenharia, igual a civil, alimentar, farmacêutica.
Ninguém ousa pedir para fazer um hospital, consultório ou sua
própria casa, negligenciando a planta da casa, feita por um arquiteto ou
engenheiro. Ninguém ousa pedir para mudar o destino da ponte, ou da sacada,
o fosso de um elevador, depois de feita e quando já estamos pintando e dando
acabamento.
Por que na TI não é assim? Isso é uma questão que começa lá trás.
Todo ser humano sabe, mesmo que em linhas gerais, como se faz uma casa, uma
fundação, ou ponte ou mesmo um navio ou carro. Todos temos ideias do passo a
passo na feitura desses objetos.
Todo mundo sabe, mesmo que de forma muito simplista, qual a
diferença e como funciona um vírus e uma bactéria, qual a profilaxia para a
gripe, resfriado e etc... minha avó tem receitas milagrosas.
Quando a humanidade fazia pirâmide, poucos ousavam pedir que se
mudasse de lugar depois de pronta. Por que pedimos para mudar o botão, a
tela, a sequência da gravação e etc? Ledo engano achar que é mais fácil... o
estrago pode ser bem maior..
Talvez a resposta resida no fato de a chegada da tecnologia foi
muito mais rápida, no cotidiano do ser humano, do que qualquer outra
ciência, com tamanho paradigma. Matemática, Línguas, Geometria, Astronomia e
Medicina são milenares e suas maravilhas e os trabalhos excepcionais que os
profissionais conquistam são um avanço, não há dúvida, que toda humanidade
agradece, mas não é um paradigma.
Lembro que se a TI tem 50, 60 anos, as demais tem séculos. Se não é
tão nova, podemos dizer que hoje na Terra não existe nenhum ser humano mais
velho que as demais ciências citadas, mas muitos são mais velhos que a
própria ciência da tecnologia da informação, logo a TI pode ser considerada
uma novidade, até certo ponto, ainda em fase de entrada nos lares mentais e
espirituais de cada pessoa.
Talvez aí a dificuldade. Vamos dar tempo ao tempo que tudo se
ajeita.
Lembro de uma frase no filme 'O Gladiador', quando o Maximus, vendo
o Coliseu, exclamou: Nunca imaginei que o homem fosse capaz de construir
algo assim.
Grande abraço a todos e vamos juntos!
Gottschall, Marinilton
(11)98422-0330
(11)97473-6508
-----Mensagem original-----
De: sbis_l@googlegroups.com [mailto:sbis_l@googlegroups.com] Em nome de Jose
Henriques Junior
Enviada em: terça-feira, 18 de setembro de 2012 16:44
Para: sbis_l@googlegroups.com
Assunto: Re: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de TI
para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas
Prezados,
Excelente debate!
Eu encaro a área de informática em saúde como um desafio constante.
Existe um marco regulatório (CFM, ANS, MS) que impõe velocidade na mudança
de versões. E isto toma tempo, além do fato que muitas vezes quem "baixa" a
"regra" não tem muita boa vontade de retornar as dúvidas dos
desenvolvedores. Alguns casos são difíceis de implementar com o prazo
colocado.
Quando um analista de negócio chega para conversar com um cliente, ele vê um
cliente que muitas vezes não tem a menor idéia de onde quer chegar. Alguns
médicos querem uma interface "a sua cara", outros querem "que funcionem como
meu celular". Esquecem que desenvolver regras, exige tempo, esforço, testes
e custos. E querem tudo isto no menor valor possível.
Não discordo que sistemas que usem melhores práticas, tecnologia e I.A.
sejam desejáveis. Mas eu vejo a questão: quanto se quer e se pode pagar por
isto? As linhas de financiamento de tecnologias de ponta são obscuras,
existe muita dificuldade em encontrar profissionais de saúde que realmente
tenham vontade de ajudar os desenvolvedores a pensarem sistemas melhores. E,
sejamos francos, quantos hospitais filantrópicos realmente tem grana
sobrando para investirem pesado em sistemas clínicos, com a preocupação dos
gestores focada em "cobrar bem para dar conta dos custos"?
Sistemas inteligentes realmente podem ajudar a reduzir e, em muitos casos,
até a diminuir o tempo de internação. Mas quem vai pagar por uma equipe de
analistas, arquitetos de software, e todos os profissionais que desenvolvem
este tipo de tecnologia? Não existe almoço grátis na área de TI. Alguma hora
a conta aparece. E muitas softwarehouses de saúde estão mais preocupadas com
fazer bem feito o "feijão com arroz" que os administradores precisam para
pagar os sistemas. E, em diversos casos, enfrentando um turn-over de
funcionários de ti alto demais.
Fora ainda que no interior, muitos hospitais pegam técnicos de informática
que não se preocupam em entender o negócio. Tenho colegas que seguram a
ponta de sistemas de hospitais de 70, 100 leitos com salários inferiores a
R$1.000,00. E tem que lidar com o fato de não terem grana sequer para pagar
um curso de atualização, ou mesmo um servidor mais eficiente para aguentar o
processamento de contas médicas.
Ainda existe um desalinhamento muito grande entre o ideal, o real e o que
pode ser feito hoje. Os atores de saúde conversam pouco.
Administradores hospitalares não são preocupados com a eficiência do seu
corpo clínico com a mesma preocupação que analisam planilhas de custo,
programadores acham que os médicos "viajam demais" e o governo cobra muito,
e oferece muito pouco para melhorar o cenário.
As iniciativas atuais de diálogo e cooperação são importantíssimas.
Mas ainda existem barreiras ainda a serem vencidas. A comunicação deve ser
clara, a "grana" deve estar lá e tem que existir motivação em todos para
resolver estes conflitos. Sem isto, subir esta montanha é tarefa quase
impossível!
Abraços!
Em 18 de setembro de 2012 09:21, Lucas Rizzi - T.I. Sermed Saúde
<lucasrizzi@sermedsaude.com.br> escreveu:
> É isso mesmo Piero, quem é que nunca ouviu de um cliente: "Ah mas isso
> meu sobrinho de 15 anos faz..." quando damos o orçamento de algum
> trabalho de TI...
>
>
>
> Infelizmente uma boa parte dos gestores de TI veem a área como um
> gasto necessário, e não como estratégia de negócio.
>
>
>
> A questão é muito mais complexa do que se imagina. Pois há
> profissionais mal preparados dos dois lados. Tanto de gestão de negócio
quanto de TI em si.
>
>
>
> Infelizmente.
>
>
>
> Obrigado!
>
>
>
> Lucas Rizzi
>
>
>
> De: sbis_l@googlegroups.com [mailto:sbis_l@googlegroups.com] Em nome
> de Piero Enviada em: domingo, 16 de setembro de 2012 14:18
>
>
> Para: sbis_l@googlegroups.com
> Cc: sbis-News@yahoogrupos.com.br; Edumed News; listas@edumed.org.br
> Assunto: [sbis_l] Re: Fórum Saúde Digital: Falta de profissionais de
> TI para a saúde está longe de ser resolvido, dizem especialistas
>
>
>
> Os dois sistemas de prontuário eletrônico que tive contato foram
> programados por estagiários dos primeiros semestres do curso de
> ciência da computação ou mesmo garotos do ensino médio treinados para
> criar sistemas de estoque em Object Pascal. Acredito que o problema
> está na gestão: quem contrata gasta muito em publicidade, design,
> carros de luxo, e deixa os restos para programadores. Não parece ridículo?
>
> --
> ----------------------------------------------------------
> Seja associado da SBIS!
> Visite o site www.sbis.org.br
>
> --
> ----------------------------------------------------------
> Seja associado da SBIS!
> Visite o site www.sbis.org.br
--
José Henriques Júnior
Analista de Sistemas
SBIS/SBC
--
----------------------------------------------------------
Seja associado da SBIS!
Visite o site www.sbis.org.br
--
----------------------------------------------------------
Seja associado da SBIS!
Visite o site www.sbis.org.br
0 comentários:
Postar um comentário