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>> Alguém sabe de alguma teoria matemática que explique o fato de DSS funcionarem bem para ações específicas (ambulatório de reumatologia, por exemplo), mas quando colocados para ações mais gerais não funcionar tão bem (ambulatório de clínica médica, por exemplo)?
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Sim, Carlos, existe. O teorema da probabilidade condicional de Bayes
explica bem isso.
No caso da reumatologia, o número de entidades nosológicas é menor, e a
mudança da probabilidade a posteriori com a adição de novos achados
(sinais, sintomas, etc.) permite um diagnóstico diferencial automático
que converge mais rápido para valores maiores. Além disso, sendo o vetor
de probabilidades a priori de menor tamanho, já parte com valores mais
elevados de probabilidade para cada diagnóstico do que os de clinica
médica, que tem muitas entidades nosológicas, e grande número de sinais
e sintomas, o que "dilui" os valores de probabilidades a posteriori e
gera diagnósticos diferenciais em maior número e com menor força de
evidência. Por isso mesmo, os sistemas de apoio à decisão se denominam
"especialistas", ou seja, são mais adequados para domínios mais
restritos de decisão.
O sistema ILIAD, desenvolvido no Later Saints Days Hospital, em Utah, na
década dos 70s, era um sistema bayesiano genérico, com mais de 10.000
diagnósticos possiveis. Mesmo assim funcionava surpreendentemente bem,
porque as probabilidades eram baseadas no extenso banco de dados
clínicos do hospital. Outro sistema genérico, desenvolvido na Harvard,
foi o DXPlain. A literatura em DSS de lá para cá mostrou, no entanto,
que dominios mais restritos são preferiveis para sistemas bayesianos e
que funcionam fantasticamente bem.
Quem quiser ler um tratamento bastante completo (e matemático) da
inferência bayesiana, sugiro;
http://en.wikipedia.org/wiki/Bayesian_inference
E uma visão geral de DSS em medicina:
http://en.wikipedia.org/wiki/Clinical_decision_support_system
Também recomendo que você dê uma olhada nas aplicações de lógica difusa
(fuzzy) nos DSS em medicina, seria uma abordagem matemática
semi-probabilística.
Vale um comentário: na década dos 90, antes do surgimento da Internet,
um dos principais temas de pesquisa na SBIS eram os sistemas de apoio a
decisão, que eram vistos como o futuro da medicina. A propria Dra.
Beatriz Leão, eu, e vários outros colegas, desenvolvemos muitos
trabalhos e teses nessa área (por exemplo, a tese de doutorado da Dra
Beatriz, a minha tese de livre-docência, que foi sobre redes neurais na
decisão médica, etc.)
Entretanto, é uma área que saiu de moda, devido à baixissima adesão dos
médicos ao uso rotineiro desses sistemas de apoio à decisão. Foi uma pena!
Abs
Sabbatini
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