As famílias do acampamento "Alexandra Kollontai", de Serrana, na região de Ribeirão Preto, ocuparam no sábado,dia 11, e pela 6a vez, a Fazenda Martinópolis

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O estado de S.Paulo, mais rico da união, é vítima de meia dúzia de malfeitores metidos a empresários que são especialistas em fraudar o fisco e explorar os trabalhadores rurais quantas vezes tratando-os como escravos, continuando impunes, sempre dispostos a continuar suas atividades criminosas.
Será que as autoridades do estado não tomam conhecimento das tropelias destes bandidos? Ou simplesmente não existem autoridades?
Pelo que aconteceu recentemente em PINHEIRINHO/S.JOSÉ dos CAMPOS onde 2.000 homens da PM expulsaram cerca de 5.000 moradores de suas casas, distribuindo muita pancada, tiros de balas de borracha e gazes tóxicos em toda essa gente. Depois demoliram as 1.600 casas que existiam no bairro, tudo isto em cumprimento da justiça, como alega o Geraldo Alckmin que foi nomeado governador do estado porque seus eleitores desconheciam esse seu lado de exterminador do povo pobre!
Com esta barbaridade executada por quem mais deveria nos proteger, só nos resta exigir justiça e punir exemplarmente os criminosos.
Leiam o que se passa no interior do estado:
 
 
 
 
Povo teimoso Frederico Daia Firmiano e Silvia Adoue As famílias do acampamento "Alexandra Kollontai", de Serrana, na região de Ribeirão Preto, ocuparam no sábado, dia 11, e pela 6a vez, a Fazenda Martinópolis, de 1.817 hectares, onde funcionou, a partir de 1975, uma usina de açúcar e álcool . Esse povo, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, está acampado já faz 4 anos. A área da fazenda já foi maior. E a exploração data de mais de um século. Foi fazenda de leite, café, amendoim, milho, arroz, com casa de fubá e rapadura. Contam os ex-colonos que um ramal das linhas férreas da Mogiana atravessava os cultivos, e a "Maria Fumaça" se detinha numa estação pequena. Num dos limites da fazenda, corre o rio Pardo. Hoje só tem cana, excetuando um pequeno roçado de milho e soja. Porém, bem no meio, na baixada, uma área fica sem cana, sem milho, sem rapadura, sem arroz. Mal cresce o mato. Dizem os velhos que ali era a senzala, lugar cheio de pedras, onde ainda se podem ver as argolas nas quais os escravos ficavam acorrentados. Com a imigração, dentro da Martinópolis, se instalaram duas colônias, a São Pedro e a Bebedor, que abrigaram 40 famílias. E havia uma estradinha com duas carreiras de flamboyant, que unia as colônias com a sede. Lembram os velhos colonos que foi em 1972 que virou fazenda de cana, começou a contrair dívidas e, em 1975, com o Pró-álcool, conseguiu se reerguer. Chegou a ter mais de 1000 trabalhadores durante os períodos de safra. Lá pelo ano de 1995 foi o início da decadência. Passou a dever aos trabalhadores (sofrendo inúmeros processos trabalhistas) aos empreiteiros e ao fisco, segundo consta no Cadastro da Dívida Ativa do estado de São Paulo. Por esse último motivo, corre um processo na Vara Pública de Ribeirão Preto. Procuradoria Geral do Estado. A Usina Martinópolis e a Fazenda Martinópolis foram arrendadas pela Usina Nova União quando já estavam afundadas em dívidas. A empresa arrendatária encarregou-se de fazer ainda mais dívidas, continuou com a sonegação de impostos, conforme consta no Cadastro da Dívida Ativa do Estado de São Paulo, e deixou de pagar os trabalhadores, como o indicam os processos trabalhistas que tem que enfrentar. Mas as suas façanhas não ficam por aí. Os cortadores de cana eram contratados por meio de gatos. Consta, segundo informação da FUNAI de Mato Grosso do Sul, que 300 eram indígenas de Mato Grosso do Sul. O Ministério do Trabalho acompanhou e fez a denúncia. Esta informação foi divulgada no jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, e no jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte. A Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região investiga a Nova União por driblar os compromissos trabalhistas: o transporte e o alojamento eram precários, faltavam equipamentos de segurança no trabalho, o ganho por produtividade levava os cortadores à exaustão, não se pagavam as contribuições legais, demitiam-se os trabalhadores em caso de greve. (Esta informação foi divulgada pelos jornais A Cidade e A Tribuna, ambos de Ribeirão Preto.) Além disso tudo, a monocultura produziu um enorme passivo ambiental, e a usina foi multada pela CETESB, que fiscaliza e autua em favor da proteção ambiental no estado de São Paulo.
O imbróglio não fica por aqui. O labirinto de irresponsabilidade e ocultamento inclui o arrendamento da empresa arrendatária, a Nova União, entre outras, pela Prince Partner Empreendimentos e Participações Ltda. A lisura desta empresa pode ser avaliada pelo fato de constar como sócio o nome de Humberto Duarte Lopes, jovem investidor que morreu com 4 anos de idade, e que, mesmo depois de desencarnar, recebeu em sua conta corrente o valor de R$ 600.000,00, depositados por Ari Natalino, na época dono da empresa Petroforte. Ari Natalino, também falecido, foi considerado chefe de uma quadrilha investigada por várias CPIs do Congresso Nacional, conforme denúncia apresentada pelo 15º Promotor de Justiça da Comarca de São Paulo Arthur Migliari Jr. em agosto de 2007 perante o Ministério Público Estadual na 18a Vara Cível de São Paulo, Capital. No início de fevereiro, a juíza da Vara Cível de Serrana, Andréia Schiavo, acatou o pedido de recuperação judicial feito pela Nova União, apesar da usina nem ter processado a safra de 2011/2012. A juíza deu 60 dias para a consultora Deloitte Touche Tohmatsu, nomeada administradora judicial, apresentar o plano de recuperação da usina. Foram 5 as empresas que se uniram para solicitar a recuperação judicial: Nova União Açúcar e Álcool, Agropecuária Campo Limpo, Agropecuária Ipê, Santa Maria Agrícola e Sociedade Agrícola Santa Mônica. Quantas oportunidades serão dadas a quem já demonstrou inaptidão para lidar com a terra, a vida, os trabalhadores? Muitas das famílias que disputam a área, para fins de reforma agrária, gastaram parte da sua vida para construir a riqueza da usina. Dona Maria, por exemplo, filha e neta de colonos, que lembra da estradinha dos flamboyants. Seu Silva, que também foi empreiteiro, recrutava 60 trabalhadores por safra, teve que vender os ônibus para pagar os que contratou, e nunca conseguiu reaver um tostão do dinheiro devido pela empresa. Seu João, que chegou a ser ensacador e terminou embaixo da ponte. Descendentes de caboclos, de trabalhadores escravos, de imigrantes italianos que vieram para cuidar das plantações do café, de migrantes nordestinos atraídos pela colheita da cana e pelo boom do Pró-alcool. Eles olham para essa terra onde ficou parte do seu sangue. E, hoje, gentes de todos os estados. Ex-posseiros expulsos de Mato Grosso e Paraná, pelos pastos e pela soja. O povo das periferias que desbordam de desemprego. Todos imaginam o milho, a melancia, o feijão, as cambuquiras despontando, as bananeiras, uma linha de café do lado da mangueira. Bem ali, onde hoje corre só a vinhaça que envenena a terra. Querem um rio Pardo limpo, onde possam pescar.
Jagunços modernos atuam na região de Ribeirão Preto Frederico Daia Firmiano e Silvia Beatriz Adoue "Nossas armas atiram de verdade, é melhor se cuidar". Assim disse um dos agentes da empresa de segurança, em Serrana, na região de Ribeirão Preto, para três mulheres do acampamento "Alexandra Kollontai", que disputam a fazenda Martinópolis.

As famílias do acampamento tem sofrido pressão psicológica e amedrontamento, através das rondas permanentes de seguranças, além da circulação nas ruas do assentamento Sepé Tiaraju, área federal que fica do lado do acampamento. Movimentam-se em cinco Gols prata sem mais identificação que a placa. Fato semelhante ocorreu em 11 de junho de 2009, quando o MST ocupou a mesma área. Logo pela manhã, dois carros com seguranças armados se aproximaram do acampamento, chamando para uma conversa com o suposto líder e exibindo duas armas. Foram embora e no dia seguinte voltaram à noite e dispararam contra as famílias. Por sorte, ninguém se feriu. Muito tem se falado da modernidade do agronegócio. Muito se argumenta, em seu favor, que teria superado as mazelas do velho latifúndio: a sua ilegalidade para lidar com o público, com o trabalho e o recurso à violência dos pistoleiros. Segundo esse discurso, seria o agronegócio, e não a reforma agrária, quem conseguiria um desenvolvimento desejado no campo. A política fundiária do Estado aponta para impulsionar esses empreendimentos empresariais como ponta de lança do progresso. Assim, os assentamentos conquistados pela luta pela reforma agrária deveriam se adaptar à linha geral, se tornando funcionais ao agronegócio, sob risco de se reduzir a poeira cósmica. Eis que o agronegócio, ali onde aparece mais vigoroso, como é na região canavieira do estado de São Paulo, herda todas as mazelas do latifúndio, com um adicional de prejuízo para o meio ambiente e para o trabalho, pela utilização de tecnologias de alto impacto. O uso da violência no campo também, longe de amainar, vem se tornando mais eficiente. A contratação de empresas de segurança terceirizadas também tem servido para driblar responsabilidades. O assassinato do militante Valmir Mota de Oliveira, o Keno, no Paraná, em 2007, em terras exploradas pela transnacional Syngenta, nas mãos de seguranças de uma empresa terceirizada contratada pela transnacional, assim o atesta. As políticas de direitos humanos pouco podem, se atacam apenas as consequências da estrutura fundiária. Digamos que são políticas compensatórias não "estruturantes". A proteção e a segurança do povo só poderão ser consolidadas com reforma agrária. Isto é, mudando a estrutura fundiária que gera violência. Quanto maiores os interesses, maior a violência. No domingo, dia 19/02, as crianças montaram uma "árvore de livros", com os 300 títulos da biblioteca do acampamento. E foi um dia de leitura. As famílias do acampamento "Alexandra Kollontai" querem cuidar da terra para vida. Não é temeridade. Querem viver, não querem morrer. Mas para viver precisam da terra. E permanecem resistindo na Fazenda Martinópolis. Já começaram o plantio de agrofloresta. E pretendem ali continuar, para produzir alimentos baratos e saudáveis.

Divulguem porque não podemos tolerar tamanha violência com os cidadãos pobres!




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Marcos Pinto Basto
Tel. 013 3467 4204

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