um personagem de indiscutível grandeza histórica, o presidente considerado por muitos como o um dos maiores, senão o maior da história americana, em seu filme Lincoln, Spielberg não se deixa capturar pela maneira tradicional com a qual figuras deste porte são tratadas por Hollywood. Essas são quase sempre alçadas do seu tempo e circunstâncias para que mais facilmente lhes sejam conferidas características de heróis solitários, que se relacionam com os demais humanos apenas para realçar a distância que os separa deles.
Ao retirar os grandes líderes do seu meio social, das fortes pressões e grandes interesses que sempre estão presentes quando se trata de alterar a relação de poder entre os grupos sociais, o espaço no qual a política se realiza é esvaziado, ficando livre para a construção dos mitos. A partir daí, as virtudes morais superiores do herói e a sua vontade ocupam o lugar da ação coletiva e do esforço comum necessário para o processo de aproximação de opiniões divergentes. Este é o espaço no qual a política mostra à sua fascinante capacidade de iluminar novos caminhos, assim como a sua necessidade de atuar em áreas de sombra, em circunstâncias não escolhidas ou desejadas. Esta capacidade de transformar a realidade, de tornar possível àquilo que até então era dado como impossível, exige trabalho cotidiano, na maior parte das vezes árduo e árido. Este é o ofício da política, que na maior parte das vezes precisa conciliar diferentes interesses e opiniões, num exercício permanente de produção de aproximações e distanciamentos. Aproximação para acumular forças, distanciamento para demarcar os campos e poder enfrentar e derrotar aquilo que seja verdadeiramente antagônico.
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outra guerra precisava ser ganha, agora no terreno da política: a guerra contra a escravidão dos negros. Essa possivelmente mais complexa, pois a luta contra a escravidão dos negros e das negras, não possuía os campos tão nítidos quanto os que se organizaram entorno dos estados da União e os Confederados.
Caso a guerra acabasse antes de uma solução política e constitucional, a proclamação de liberdade concedida por Lincoln aos escravos perderia validade, pois estava sustentada em poderes excepcionais, exclusivos para períodos de guerra. A chance desta proclamação ser revogada, fez com que o final da guerra passasse a depender mais de razões políticas do que militares, dado que viabilizar uma solução constitucional obrigatoriamente exigia a aprovação pelo Congresso.
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ainda assim não seriam obtidos os votos necessários, o que exigia a adesão de parlamentares do adversário Partido Democrata, amplamente contrário à abolição. Ou seja, diante deste quadro, os conselhos de não encarar uma provável derrota, pareciam bastante convenientes.
Naquela altura dos acontecimentos, no entanto, Lincoln já havia ampliado os seus compromissos com a abolição e suas convicções com a causa haviam se ampliadas. O que foi decisivo para que ele liderasse um frenético processo de ação política com o objetivo de reverter a situação desfavorável na Câmara de Representantes para a provação da Emenda 13, que já havia sido aprovada no Senado há meses.
Determinado a agir para assegurar a abolição da escravidão, Lincoln lança mão de todos os meios: o convencimento argumentativo, a simulação de negociações secretas com os Confederados para ganhar a adesão dos republicanos conservadores, a troca de favores e cargos e até mesmo a compra de votos. Mesmo assim, apenas dois votos asseguram a maioria necessária para aprovar a Emenda abolicionista.
O filme assim, apoiado num momento histórico de grande relevância e num personagem icônico, permite retomar um debate cada vez mais dominado pela despolitização da política e a sua consequente substituição pela ideologia conservadora, que degrada a moral em moralismo. Lincoln abdicou do conforto da posição de estadista e herói, assegurada para todos os vitoriosos para colocar seu prestígio pessoal e a força conferida pelo seu cargo de presidente americano para dar fim a uma infâmia. Livre do moralismo que interditaria a possibilidade de agir para além naquilo que o convencimento permitiria, viabilizou a aprovação da abolição.
Nesta situação é possível ficar nítida a fronteira entre moral e moralismo,
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a política possui um poder mais transformador do que a guerra. Para exercê-la, é preciso um trabalho árduo e árido, especialmente quando se trata de fazer avançar a igualdade e combater as desigualdades dentro de uma ordem organizada sobre a subjugação de uns por outros. É nessas lutas que a política encontra o seu lugar, sendo que no seu exercício, a lógica do mundo privado e a da vida pública via de regra se distanciam; assim como a política e as transformações históricas se afastam do moralismo conservador, que não é senão a degeneração da moral.
Gerson Almeida é sociólogo
(Texto publicado originalmente em www.sul21.com.br )
>>> tanto faz lá e cá; o tempo conserva a Moral e a Ética mesmo durante as conquistas/batalhas para seus fratres e sorores (Nação)... vide o grau de ardis desde gengis kham e do conteúdo de Política no manual da "arte da guerra' de sun tzu.
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Esta msg segue aos inscritos em NOSSO TIME, que DOA ESFORÇO FÍSICO, DEDICAÇÃO MENTAL E GASTO MONETÁRIO NA ARTE DE VIVER MAIS E MELHOR por que, no final das contas, a sociedade inteira, nós TODOS PAGAMO$$$$ pela doença e/ou aposentadoria precoce de um sequer.
Em respeito ao seu tempo, envio APENAS retalhos da informação, aquilo que considero ser o suficiente para inFORMAR e deFORMAR para transFORMAR. Aceitar e buscar a mudança, ser diferente a cada novo ano, mês, dia, hora, momento... eis a Gratidão pela vida atual, e futura: longevidade com vigor !!!
A REPLICAÇÃO é recomendável, com extremo cuidado pela NETÉTICA: seja TOLERANTE, pois!
Gratíssimo .'.
Olair Rafael SEEEMMPRE MELHORR
Pediatria-Homeopatia-Med.Trabalho
Jacareí-SP /// www.sol.med.br
Você deve indicar mais pessoas para nosso e-grupo; também mudar seu email.
e
PARA SER ELIMINADO ??? >>> http://groups.google.com.br/group/educacao-em-saude/unsub?u=XuvTqgwAAADheanGLn_sSJdyXgsUCvNQ&hl=pt-BR
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