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"Não participarei de um governo sob o qual a polícia briga com a população", disse Borisov em sua carta de renúncia. "Ontem fizemos o máximo que podíamos fazer para responder às exigências dos manifestantes. Se o povo deseja que o governo saia, então o Estado precisa de um novo voto de confiança". Poucas horas antes, o chefe de governo havia anunciado que seu Executivo ia renunciar em massa e um pedido para que os 117 deputados de seu partido, o GERB (sigla para Cidadãos para Desenvolvimento Europeu da Bulgária), também deixassem suas cadeiras.
O ex-premiê também é criticado por se mostrar muito dominante e tomar decisões imprevisíveis. "Ele fez meu dia. A verdade é que vivemos em um país extremamente pobre", diz Borislav Hadzhiev, de 21 anos.
Primeiro-ministro desde meados de 2009, Borisov havia tentado acalmar os manifestantes ao demitir o ministro de Finanças, Simeon Dyankov, prometendo abaixar preços em 8% a partir de março e aplicar multas às distribuidoras de eletricidade (a austríaca EVN e as tchecas CEZ e Energo-Pró) e a retirada de licença de uma delas (a CEZ), procedimento que já foi iniciado pelo órgão regulador elétrico búlgaro. No entanto, não surtiu efeito nos protestos. Ele não confirmou se as eleições parlamentares, previstas para julho, seriam adiantadas.
"Essas manifestações começaram contra os altos preços de eletricidade, mas as raízes do descontentamento são mais profundas", disse o presidente búlgaro, Rosen Plevneliev, do mesmo partido de Borisov. Neste domingo (17/02), cerca de 100 mil pessoas participaram de protestos em 35 cidades do país.
Já o ministro do Interior e vice-premiê, Tsvetan Tsvetanov, disse que o GERB, com maioria no Parlamento, não participará de conversas para formar um novo governo. De acordo com pesquisas de opinião, a popularidade do governo ainda persiste principalmente porque cortes no orçamento foram pequenos, comparados com outros países europeus e salários foram congelados, em vez de diminuídos.
Ainda assim, a última pesquisa, realizada antes dos recentes protestos, já mostrava que os socialistas oposicionistas se aproximavam da situação. Analistas dizem que as manifestações aumentaram as chances dos socialistas. Pouco antes do anúncio de Borisov, o maior grupo da oposição, o Partido Socialista Búlgaro (BSP), boicotou a sessão regular do Parlamento em que estava previsto votar mudanças no Executivo, propostas pelo chefe do governo depois da renúncia de Dyankov.
"A renúncia do governo do GERB é um desfecho natural para um governo totalmente fracassado", disse o líder do Movimento, Lytvi Mestán.
O desemprego no país de 1,3 milhões de habitantes é estimado em 11,9%, longe dos picos na década após o fim do comunismo, a média salarial está em €350 (800 levs ou R$915). Milhões de búlgaros já emigraram em busca de maior qualidade de vida.
*Com informações de Al Jazeera, El País e EFE
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