O jovem velho que é a cara do PSDB

terça-feira, 5 de março de 2013

Paulo Nogueira


O novo assessor pessoal de Alckmin é, aos 37 anos, ideologicamente senil.

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O mundo é dominado, hoje, por uma crescente irritação com a assombrosa desigualdade social surgida nos últimos trinta anos.


Reagan, de um lado do Atlântico, e Thatcher, do outro, comandaram políticas que se espalharam em escala planetária e levaram ao célebre 1% versus 99%.


Era uma situação insustentável, como sempre acontece nos extremos de iniquidade. E então as respostas começaram a aparecer.


Sarkozy foi chutado na França. Romney deixou de ganhar uma eleição fácil, dada a crise econômica americana, por causa da indignação dos americanos em relação aos privilégios que ele tem e defende abertamente. Protestos varrem as principais cidades do mundo.


Isto é o que se chama, enfim, Espírito do Tempo. Na célebre palavra alemã, Zeitgeist.


Feito este introito, então observemos o que se passa no PSDB. Como um partido que teve algum tipo de sensibilidade social se ajusta aos ventos que empurram o mundo para a frente?


A resposta é: Ricardo Salles.


Alckmin consegue, neste momento, fazer o exato oposto do que deveria, como um líder influente dentro do PSDB.


Ele se junta a Serra e empurra com Salles, seu novo assessor particular, o PSDB rumo à direita selvagem da qual o universo está se despedindo com fanfarras. A humanidade repudia o que se plantou na década de 1980. O PSDB parece estar vivendo naqueles dias.


Salles é um jovem velho como uma daquelas senhoras de Santana. Defende, por exemplo, a ditadura militar. Ora, passado meio século do Golpe Militar, é fácil ver o que ele trouxe.


A ditadura destruiu a educação pública, o maior fator de mobilidade social. Extirpou conquistas trabalhistas, como a estabilidade no emprego depois de dez anos, e ao mesmo tempo proibiu greves. Isso levou a uma brutal concentração de renda.


O Brasil sofreu, sob os militares, uma política econômica parecida com a que Reagan e Thatcher espalharam internacionalmente.


O horror do legado de Reagan e Thatcher se estampou nos últimos anos. No Brasil, isso já ficara claro muito antes: o país se favelizou.


A ditadura defendeu os interesses de uma ínfima minoria – e os dos Estados Unidos, naturalmente.  A CIA não participou ativamente da conspiração por amor incondicional a figuras como Carlos Lacerda, Roberto Marinho e Golbery.


E então,  em pleno 2013, Alckmin se cerca de um secretário que é a negação do Zeitgeist.


E que por isso mesmo é um fracasso prematuro e irremediável: tentou em vão se eleger deputado estadual em 2010. Postou na campanha um vídeo com seu jingle no YouTube que arrebanhou, nestes anos todos, 951 exibições até esta amanhã.


É um número similar ao angariado habitualmente por Reinaldo Azevedo e amigos nos debates sobre o Mensalão no canal da Veja no Youtube.


FHC deve estar muito ocupado com a namorada 50 anos mais nova para se dar conta do melancólico, funéreo curso dado ao PSDB.


O PSDB, no qual votei a maior parte de vezes em minha vida adulta,  não é mais um partido, mas uma morgue de homens e ideias.


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