Re: [sbis_l] Notícia CBN

sábado, 12 de abril de 2014
Em minha longa experiência, tanto como desenvolvedor, como professor de medicina, e usuário, o problema de aceitação do PEP pelos médicos brasileiros diz respeito à resistência contra a documentação clinica em si, a um ponto que chega ao absurdo kafkiano total.

Já fui atendido por médicos (muito bons por sinal), que não fazem absolutamente nenhum registro sobre o paciente, como se fosse um vendedor de salgadinhos na feira, e olhem que isso não ocorre somente na saúde pública.  Médicos que cobram 600 reais por consulta particular também não são adeptos.

Os que são um pouco melhores têm um envelope de papel manilha com o nome do paciente, contendo uma resma de papel ofício branco completamente desestruturada, onde anotam alguma coisa, muitas vezes em uma letra que nem eles entendem depois, e sem nenhuma sistemática (parece um papel de rascunho com anotações aleatórias, sem data, incompletas, etc.), Aliás, notas que são raramente consultadas em um encontro posterior com o paciente, como em um retorno.

A única coisa que esses médicos escrevem geralmente é uma receita ou pedido de exame no formulário (em papel), do plano de saúde....

Agora, quando ele chama o dedetizador, ou a manutenção da geladeira na casa dele, exige contrato, relação do que foi feito, peças trocadas, itemização dos custos, total, data e local de assinatura do cliente e do prestador, etc., etc.

É claro que existem exceções, como médicos que usam muito bem o computador, anotam tudo nele, com sistemática, etc., se o software for bom, ergonômico e der menos trabalho que o papel. Deve ser uns 10% dos médicos, na minha estimativa.

Infelizmente, as empresas que desenvolvem software de PEP, e as instituições que os adotam, não percebem que o buraco é mais embaixo. Procuram vender ou comprar de qualquer jeito, como se, num passe de mágica, eles serão realmente usados.

Enquanto os médicos desprezarem a documentação acurada, completa, legível, acessível e útil sobre os seus pacientes, nada mudará. Nem adianta insistir. Implantar um PEP não vai resolver os problemas de documentação que eu citei.

E as faculdades e cursos de residência não fazem absolutamente NADA para mudar essa situação. Mesmo porque não sabem ensinar, não têm quem ensinar, e não abrem espaço no curriculo para o ensino da boa documentação médica clínica.

Abraços
Sabbatini

PS: A documentação é parte intrínseca do atendimento médico, e toma tempo. O médico não tem razão, ao querer atender paciente 100% do seu tempo (atender significando fazer procedimentos, conversar, etc.) Medicina sem documentação é ruim e perigosa.


Em 12/4/2014 10:00, Leandra L. R. Carneiro escreveu:
Infelizmente o médico tem interesse em atender o paciente e só. Se a TI nào atrapalhar a vida dele, ele agradece e não enche o saco. Falo isso como médica e profissional de TI em Saúde.


Em 11 de abril de 2014 14:25, Thiago Silva <thiagosb13@gmail.com> escreveu:
Pessoal, 

E sobre a classe médica, como vocês avaliam o interesse dela no 'paperless'? 

Afinal, empresas de software dependem da necessidade do cliente para implantar soluções. De que adiantaria certificar o software se o médico não ter interesse por isso? Ou se interessa desde que seja, praticamente, de graça.





Este email está limpo de vírus e malwares porque a proteção do avast! Antivírus está ativa.


0 comentários: